Pronto-Socorro de Ananindeua atua com atendimento limitado, denuncia vereador
Na noite de 26 de março, imagens divulgadas pelo vereador Flávio Nobre (MDB) mostraram corredores e salas vazias na unidade, que possui capacidade para 75 leitos, sendo 10 de UTI.

O Pronto-Socorro Municipal de Ananindeua (PSMA), inaugurado há oito meses, opera com atendimento limitado, enquanto unidades de saúde da região registram superlotação. Na noite de 26 de março, imagens divulgadas pelo vereador Flávio Nobre (MDB) mostraram corredores e salas vazias na unidade, que possui capacidade para 75 leitos, sendo 10 de UTI. No último levantamento, apenas quatro pacientes estavam internados, todos para cirurgias eletivas. O custo da estrutura ultrapassa R$ 20 milhões.
Restrição de acesso e impacto em outros hospitais
A entrada na unidade tem sido um desafio. Pacientes que chegam ao local encontram os portões fechados e são direcionados para outras unidades, como o Pronto-Socorro da Augusto Montenegro, administrado pelo Governo do Estado. O vereador, ao tentar vistoriar o hospital, aguardou cerca de uma hora para entrar. Em janeiro, a vereadora Pâmela Wayne (MDB) e sua equipe também foram impedidos de acessar o prédio.
A falta de atendimento no PSMA tem gerado impacto nas unidades de municípios vizinhos, especialmente em Belém. O Ministério Público do Pará já havia apontado a situação e solicitado a intervenção do Estado na saúde do município, classificando o cenário como crítico, com hospitais fechando e pacientes buscando atendimento em outras cidades.
Disputa financeira e decisão judicial
O funcionamento do PSMA ocorreu em meio a um impasse financeiro. A Prefeitura de Ananindeua adquiriu o imóvel, mas deixou de pagar cerca de R$ 4,3 milhões aos antigos proprietários. A Justiça determinou que a unidade só poderia operar após a quitação da dívida. Em julho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a decisão que impedia o funcionamento, mas a unidade segue sem atendimento pleno.
Uma vistoria realizada pelo Ministério Público do Estado, em outubro de 2023, identificou problemas estruturais na gestão de Dr. Daniel Santos (PSB), como falta de acessibilidade e carência de profissionais especializados, incluindo psicólogos e fisioterapeutas.
Investigação sobre a gestão da saúde
O Ministério Público investiga possíveis irregularidades na administração da saúde de Ananindeua. A Procuradoria Geral de Justiça pediu intervenção na gestão municipal, com base em suspeitas de desvio de R$ 261,3 milhões de recursos públicos. O pedido foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), sob a alegação de descumprimento de princípios constitucionais, incluindo o direito à saúde.
Entramos em contato com a prefeitura de Ananindeua e aguardamos um retorno.
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