O número de dispensações de PrEP — terapia preventiva contra o HIV — registrou crescimento expressivo em 2025 em todo o país. No recorte nacional, as dispensações passaram de 110.733 em 2024 para 141.891 em 2025.
Na Região Norte, o avanço foi de 29,68%, saindo de 19.659 para 25.494 dispensações mensais. Já o Pará apresentou um dos maiores crescimentos proporcionais do país: alta de 45,34%, passando de 6.520 para 9.476 dispensações no período.
No entanto, o levantamento também aponta um sinal de alerta: os tratamentos descontinuados cresceram 41,6% no Brasil, saltando de 54.740 para 77.522 casos.
Região Norte cresce, mas enfrenta desafio de continuidade
Atualmente, a Região Norte contabiliza 6.399 pessoas em tratamento ativo com PrEP, enquanto 3.946 interromperam o uso nos últimos 12 meses. No mesmo período, 10.345 pessoas registraram ao menos uma dispensação, o que indica que parte dos usuários inicia a profilaxia, mas não mantém o acompanhamento regular.
O acesso segue majoritariamente público: 99% das dispensações foram realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e apenas 1% no setor privado.
Pará lidera crescimento e ultrapassa 9,4 mil dispensações
No Pará, o crescimento foi ainda mais expressivo. O estado soma atualmente 2.362 pessoas em tratamento ativo, enquanto 1.252 interromperam o uso nos últimos 12 meses. Ao todo, 3.614 pessoas tiveram ao menos uma dispensação registrada em 2025.
Assim como no restante da região, 99% do acesso ocorre pelo SUS.
Avanço em todos os estados do Norte
Os dados mostram crescimento em todos os estados da Região Norte:
- Acre: 827 (2024) → 914 (2025) (+10,52%)
- Amapá: 923 → 1.163 (+26%)
- Amazonas: 7.441 → 9.029 (+21,34%)
- Rondônia: 1.698 → 2.002 (+17,9%)
- Roraima: 1.189 → 1.419 (+19,34%)
- Tocantins: 1.061 → 1.491 (+33,74%)
Em praticamente todos os estados, o atendimento público responde por quase 100% das dispensações.
Perfil de quem usa PrEP no Brasil
O levantamento nacional aponta que mais de 80% dos usuários são homens gays e HSH (homens que fazem sexo com homens). Homens heterossexuais representam 8,4% dos usuários, enquanto mulheres correspondem a 6,5%.
A faixa etária predominante é entre 30 e 39 anos (42,7%), seguida por pessoas de 25 a 29 anos (21,5%) e de 40 a 49 anos (18,7%).
Ampliação do acesso e mudança de protocolo
Especialistas atribuem o crescimento ao aumento da informação sobre a eficácia da PrEP e ao fortalecimento das campanhas de prevenção.
Outro fator decisivo foi a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que ampliou a indicação da profilaxia: antes voltada principalmente a grupos considerados de maior risco, a PrEP passou a ser recomendada também para todas as pessoas sexualmente ativas.
A mudança reforça a prevenção como estratégia universal, reduzindo estigmas e ampliando o acesso.
São Paulo registra queda nos diagnósticos
Em São Paulo, onde a distribuição da PrEP é mais ampla e as campanhas são mais frequentes, os diagnósticos de HIV caíram 54,6% entre 2016 e 2023, passando de 3.716 para 1.705 casos, segundo dados citados no levantamento.
Experiências internacionais, como a de San Francisco, também apontam tendência de redução de novos diagnósticos quando a prevenção é combinada com testagem regular e tratamento adequado.
Produção nacional e investimentos
A produção da PrEP no Brasil também envolve a iniciativa privada. A empresa Blanver fabrica o medicamento Binav®, disponível tanto no SUS quanto em farmácias.
Segundo Sérgio Frangioni, CEO da companhia, o avanço da PrEP pode ter impacto semelhante ao dos antirretrovirais introduzidos nos anos 1990, mas com foco na prevenção de novas infecções.
A empresa anunciou investimentos de R$ 592 milhões até 2028 para ampliar a produção de medicamentos estratégicos e de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), com apoio do BNDES, que prevê aporte de R$ 220 milhões para o desenvolvimento de 19 medicamentos, sendo 15 deles com produção local de IFAs.
Apesar do avanço expressivo no acesso à PrEP, os dados reforçam que o desafio agora é garantir continuidade e adesão ao tratamento, condição fundamental para que a estratégia tenha impacto consistente na redução de novas infecções por HIV no país.



