Recém-criada sob a gestão do prefeito Igor Normando (MDB), a Secretaria de Zeladoria Urbana de Belém (SEZEL) virou alvo de denúncias por abrigar uma estrutura considerada exagerada para os padrões da administração pública municipal. Um levantamento feito a partir dos relatórios oficiais do Portal da Transparência revela a existência de mais de 60 cargos comissionados ativos na pasta, com salários brutos que chegam a ultrapassar R$ 15 mil por mês.
A denúncia indica que a SEZEL, criada nos primeiros meses da atual gestão, reproduz as funções que já eram desempenhadas anteriormente pela extinta Secretaria de Saneamento (SESAN), mas com uma estrutura muito mais inchada e onerosa. Enquanto a antiga secretaria operava com um secretário, um diretor-geral e algumas diretorias técnicas, a SEZEL agora conta com sete secretários executivos, quatro superintendentes, diversos coordenadores, assessores técnicos, assessores de gabinete, assistentes especiais e outros cargos de confiança.
Todos os dados foram extraídos dos relatórios de folha de pagamento publicados oficialmente pela Prefeitura de Belém, referentes ao mês de julho de 2025. Os documentos apontam que os salários brutos de secretários executivos ultrapassam R$ 15 mil, enquanto superintendentes e coordenadores recebem por volta de R$ 8 mil. Assessorias e cargos técnicos também acumulam vencimentos que variam de R$ 2 mil a R$ 9 mil, todos pagos com recursos do orçamento público municipal.
Contradições no discurso
A denúncia chama atenção especialmente porque contraria o discurso inicial do prefeito Igor Normando, que assumiu o cargo com promessas de enxugar a máquina pública e priorizar investimentos em serviços essenciais. Desde o início do mandato, a atual gestão adotou medidas que causaram forte impacto social, como o fechamento do Restaurante Popular, que oferecia refeições acessíveis à população em situação de vulnerabilidade, e o fim do programa Bora Belém, voltado ao apoio direto a famílias pobres.
No entanto, apesar da justificativa de contenção de despesas em programas sociais, os gastos com pessoal comissionado vêm crescendo — sobretudo em áreas estratégicas da nova gestão. A estrutura inflada da SEZEL é um exemplo simbólico dessa contradição: enquanto faltam recursos para ampliar ações de impacto direto à população, a prefeitura canaliza verbas para cargos comissionados de alto custo, muitos dos quais sem atuação técnica comprovada.
Falta de critérios e transparência
Além do excesso de cargos, a denúncia também aponta a ausência de critérios claros para nomeações e a falta de transparência quanto à função prática de cada posto criado. Não há, por parte da Prefeitura de Belém, uma justificativa técnica publicada para a criação de tantos cargos com salários elevados em uma secretaria com atribuições já conhecidas.
Pedido de esclarecimento
Até o momento, a Prefeitura de Belém não se manifestou publicamente sobre os critérios usados para compor a nova estrutura da SEZEL, tampouco apresentou um plano de metas ou resultados esperados com a ampliação da pasta.
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