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Por que vendedores jogaram açaí no rio em Belém? Entenda o motivo do descarte

Vídeo na Feira do Açaí mostra descarte do fruto após dias sem venda; preço entre R$ 40 e R$ 50 e qualidade abaixo do ideal explicam a polêmica

Um vídeo que viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (25) mostrou vendedores descartando cestos de açaí no rio, na tradicional Feira do Açaí, em Belém. As imagens causaram indignação e levantaram questionamentos sobre desperdício do fruto, símbolo da economia e da cultura alimentar paraense.

Segundo representantes do setor, no entanto, o descarte ocorreu por perda de qualidade após dias sem comercialização.


Por que o açaí foi jogado no rio?

De acordo com Rochinha Júnior, diretor da Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém (ACPAB), o produto permaneceu por mais de três dias sem venda.

O principal motivo teria sido o preço considerado elevado nos primeiros dias de oferta. Atualmente, o valor do paneiro varia entre R$ 40 e R$ 50, faixa que muitos batedores artesanais dizem não conseguir pagar.

Como o açaí é altamente perecível, precisa ser vendido rapidamente após chegar à capital. Segundo o setor:

  • O fruto deve ser comercializado no mesmo dia do desembarque;
  • Após 24 horas, começa a perder qualidade;
  • Depois de três dias, pode se tornar impróprio para consumo.

Quando o preço finalmente caiu, o açaí já havia perdido padrão de qualidade, tornando-se inviável para venda.


Como o açaí perde qualidade?

O lote mostrado no vídeo foi classificado como “açaí mais fraco”. Parte veio de municípios mais distantes, onde houve dificuldades no armazenamento.

Entre os fatores que comprometem o fruto estão:

  • Exposição à chuva;
  • Falta de gelo durante o transporte;
  • Demora no desembarque;
  • Tempo excessivo armazenado após a chegada a Belém.

Quando isso acontece, o fruto amolece, perde polpa, altera textura e sabor — o que impacta diretamente o trabalho do batedor artesanal e a experiência do consumidor.


Por que o açaí está caro em Belém?

O preço elevado é atribuído principalmente à entressafra e aos custos logísticos.

Durante a transição da safra de inverno para a safra de verão, a oferta oscila. Com menor volume disponível, o preço tende a subir.

Além disso, pesam no custo:

  • Combustível das embarcações;
  • Pagamento da tripulação;
  • Compra do fruto nos municípios produtores;
  • Transporte até a capital.

Quando a quantidade trazida é menor, o custo por paneiro aumenta e isso é repassado ao mercado.


Quando o preço deve baixar?

A expectativa do setor é que, com a consolidação da safra de verão — especialmente com o aumento da produção em municípios tradicionais — o preço caia gradualmente nas próximas semanas.

Até lá, a combinação de oferta reduzida, custos logísticos e variação de qualidade deve continuar influenciando o valor do açaí na Feira do Açaí.

O episódio, embora tenha causado revolta nas redes, escancara um problema estrutural da cadeia produtiva: a dificuldade de equilibrar preço, qualidade e tempo de comercialização de um produto extremamente sensível e central para a economia paraense.

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