A Polícia Civil do Paraná indiciou o policial penal Jorge José da Rocha Guaranho por homicídio duplamente qualificado pela morte do guarda municipal Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Os qualificadores são por motivo torpe e por causar perigo a outras pessoas que estavam no local.
A corporação concluiu na quinta-feira (14) o inquérito policial que investiga a morte de Arruda, durante sua festa de aniversário de 50 anos, com tema do PT.
A polícia descartou motivação política no caso. Segundo a delegada chefe da Divisão de homicídios, Camila Cecconello, para enquadrar o assassinato como crime político é preciso determinados requisitos, como impedir o dificultar as pessoas de exercerem seus direitos políticos.
“É complicado dizer que o autor queria impedir de exercer os direitos políticos da vítima”, declarou. “A gente avalia que, quando ele chegou ao local, ele não tinha a intenção de fazer disparos, [ele] tinha a intenção de provocar. A escalada da discussão acabou fazendo com que o autor voltasse e praticasse o homicídio. Parece mais uma coisa que acabou virando pessoal entre duas pessoas que discutiram por motivação política.”
“Fica claro que houve provocação e discussão em razão das opiniões políticas”, afirmou Cecconello.
Em nota, o MP-PR (Ministério Público do Paraná) disse que, a partir do recebimento do inquérito policial concluído, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) analisará o processo e trabalhará no oferecimento da denúncia. O prazo é de 5 dias.
A corporação também descartou que Arruda e Guaranho já se conheciam, com base nos depoimentos de testemunhas. De acordo com a investigações, o policial penal fez 4 disparos, e pelo menos 2 atingiram Arruda. A vítima fez 10 disparos, e pelo menos 4 atingiram o policial.
De acordo com as investigações, o policial penal soube da festa antes de ir ao local. Ele teve acesso a imagens das câmeras do clube onde estava sendo realizada a celebração.
Ele foi ao local pela 1ª vez de carro, acompanhado da esposa e do filho, com intuito de “provocar”, segundo a polícia. O som do veículo tocava uma música que fazia referência a Bolsonaro.
Ao estacionar o carro, Guaranho e Arruda começam uma discussão sobre “ideologia e pensamentos políticos”, segundo a delegada. A vítima então arremessa terra e pedregulhos que estavam num canteiro, que acabam atingindo o policial e sua família.
A mulher de Guaranho pede para ir embora, e o policial então deixa o local. Depois de saírem, Arruda vai até seu carro e pega sua arma. Outras pessoas que estavam na festa pedem para que o porteiro do clube feche o portão do local.
Instantes depois Guaranho volta sozinho de carro para o lugar da festa e ele mesmo abre o portão, conforme a polícia. De acordo com depoimento da mulher do policial, ele teria dito que se sentiu ofendido e humilhado pelo fato de sua família ter sido atingida pelos pedregulhos.
“Pessoas perceberam a volta do veículo e correm para dentro para avisar a vítima”, disse a delegada. “Pelas imagens, no momento em que vítima é avisada ela carrega a arma e coloca na cintura”.
“A vítima pega a arma na mão e começa a sair de trás do salão para a porta onde está o carro do autor. Ele [Guaranho] visualiza o guarda e saca a arma. A esposa da vítima se coloca no meio e pede para abaixar a arma”.
Guaranho e Arruda gritam para que cada um baixasse a arma. O policial penal foi o 1º a disparar.
A delegada disse que não há elementos que apontem que Guaranho premeditou o assassinato. “É complicado falar que ele premeditou. A 1ª vez que ele vai ao local ele vai para provocar e falar da ideologia dele. Não foi com intenção de efetuar disparos. Quando ele retorna, me parece mais movido pelo impulso do que algo premeditado”.
De acordo com depoimentos, o policial penal tinha ingerido bebida alcoólica antes de ir ao local da festa. Ele estava em um churrasco. “Relatos falam que ele estava bem alterado”, declarou a delegada. O laudo sobre a dosagem de álcool que ele teria ingerido ainda não foi concluído.
Arruda também teria ingerido bebidas alcoólica durante sua festa, mas segundo depoimentos ele não estava em estado de embriaguez. O IML (Instituto Médico Legal) fez exame toxicológico no corpo da vítima, e o resultado deve sair em 20 ou 30 dias, de acordo com a delegada.
Foram ouvidas 17 pessoas, entre elas testemunhas que estavam no local do crime e familiares da vítima e do policial penal. As imagens das câmeras de segurança também foram analisadas.
Com informações Poder360



