A Argentina registrou uma redução na taxa de pobreza, que caiu de 52,9% no primeiro semestre de 2024 para 38,1% no segundo semestre do mesmo ano. A melhora ocorre em meio às reformas econômicas promovidas pelo presidente Javier Milei, que incluem controle da inflação, cortes de gastos públicos e ajustes estruturais. Apesar da queda, 17,9 milhões de argentinos ainda vivem na pobreza, sendo as crianças as mais afetadas.
Inflação controlada e impacto na pobreza
Um dos fatores decisivos para a queda na pobreza foi a redução da inflação, que no início do governo Milei atingia patamares alarmantes. Em abril de 2024, a inflação acumulada em 12 meses era de 289%. Com a implementação de políticas fiscais mais rígidas e o corte de subsídios, o governo conseguiu diminuir esse índice para 66% até fevereiro de 2025. Esse controle dos preços melhorou a previsibilidade econômica, permitindo uma recuperação parcial do poder de compra da população e facilitando a estabilização da moeda.
Ainda assim, o impacto da recessão econômica no início da gestão foi severo. Durante os primeiros meses de Milei no poder, a taxa de pobreza atingiu um pico de 52,9%, mostrando os desafios enfrentados pela população diante da retirada de subsídios e da desaceleração da atividade econômica. Especialistas apontam que a queda subsequente para 38,1% foi impulsionada pelo ajuste da economia e pelo início de uma fase de recuperação gradual.
Perfil da população mais afetada
Apesar da melhora no índice geral de pobreza, os números ainda são alarmantes, especialmente entre crianças e adolescentes. Segundo os dados mais recentes, 51,9% das crianças de até 14 anos vivem abaixo da linha da pobreza.
A desigualdade regional também persiste. Enquanto algumas províncias mostram sinais de recuperação mais rápida, outras ainda enfrentam dificuldades para se adaptar às mudanças econômicas. A redução dos subsídios, especialmente no setor de energia e transporte, impactou mais fortemente as famílias de baixa renda, que ainda lutam para se ajustar ao novo cenário econômico.
Economistas afirmam que a Argentina está diante de um momento crucial. Embora a redução da inflação e a queda da pobreza indiquem uma recuperação, há preocupações sobre a sustentabilidade dessas melhorias. O governo de Javier Milei ainda precisa lidar com desafios estruturais, como o crescimento econômico sustentável, a geração de empregos formais e a ampliação de políticas sociais eficientes.
Outro fator que pode influenciar o futuro da economia argentina é a confiança do mercado internacional. A capacidade do país de atrair investimentos e fortalecer sua base produtiva será determinante para consolidar a recuperação e evitar novos surtos inflacionários que possam reverter os avanços registrados até agora.
Em meio a um cenário de reformas profundas, o governo Milei continua sob pressão para equilibrar os ajustes fiscais e garantir que o impacto social negativo das medidas seja minimizado. O sucesso dessa estratégia será decisivo para a trajetória econômica da Argentina nos próximos anos.



