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Pesquisadores internacionais sobrevoam Amazônia para coletar dados sobre carbono e queimadas

Missão científica liderada por instituições do Brasil e do Reino Unido deve gerar informações inéditas sobre o impacto climático na floresta amazônica e orientar políticas de combate ao desmatamento.

Santarém, no oeste do Pará, se tornou novamente um centro de referência para a ciência internacional. Pesquisadores brasileiros e britânicos estão realizando uma expedição aérea pela Amazônia com o objetivo de coletar dados atmosféricos e estudar o ciclo do carbono em meio às mudanças climáticas e ao avanço das queimadas na região.

A operação faz parte do projeto CarbonARA-Brazil, financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA) e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Durante cerca de um mês, a equipe realizará até 60 horas de voos científicos sobre a floresta, utilizando equipamentos de última geração recém-instalados na Ufopa.

De acordo com Daniel Beeden, gerente de operações da British Antarctic Survey, o trabalho é colaborativo e terá continuidade nos próximos anos. “Estaremos voando aqui por cerca de um mês, fazendo pesquisas no Amazonas, observando gases de efeito estufa e o ciclo do carbono”, explicou. Após a missão, a aeronave seguirá para a Antártica, onde permanecerá entre quatro e cinco meses.

Tecnologia de ponta a serviço do clima

O avião utilizado na expedição está equipado com sensores atmosféricos e sistemas de sensoriamento remoto capazes de registrar grandes quantidades de informações sobre a composição do ar e o comportamento da vegetação diante de eventos climáticos extremos. Os dados são armazenados em discos rígidos e analisados posteriormente em diferentes instituições.

“Há uma enorme quantidade de informações que levam meses — às vezes anos — para serem processadas e interpretadas”, destacou Beeden.

A pesquisadora Caroline Bresciani, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), explicou que os dados obtidos durante os voos são comparados com medições de torres terrestres e imagens de satélite. “Nós cruzamos todas essas informações para validar os resultados”, afirmou. Três cópias dos registros serão armazenadas na Ufopa, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Base para políticas públicas e combate ao desmatamento

Os dados coletados servirão de base para a produção de artigos científicos e para o desenvolvimento de modelos de monitoramento climático mais precisos, que poderão ser utilizados por governos e órgãos ambientais na formulação de políticas de combate ao desmatamento e às queimadas.

“A ideia é melhorar nossos modelos e aperfeiçoar o monitoramento ambiental”, disse Bresciani. Para ela, participar da pesquisa em campo na Amazônia é também a realização de um sonho. “Conhecer e poder trabalhar diretamente na floresta é algo incrível, realmente um sonho.”

Com a missão, a ciência dá mais um passo importante para compreender o papel essencial da Amazônia na regulação do clima global — e para fortalecer estratégias que garantam a preservação do maior bioma tropical do planeta.

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