Um assentado do Pará disputa com dois produtores da Bahia o prêmio de melhor cacau do mundo.
O produtor familiar paraense é João Evangelista Lima que vai competir com uma amostra híbrida paraense. Ele cultiva cacau no assentamento Turuê, um dos maiores da América Latina, com mais de 3 mil famílias assentadas, no município paraense de Novo Repartimento. A inscrição de Lima teve o apoio da Fundação Solidariedad, que incentiva os agricultores familiares a plantar cacau na sombra de árvores nativas.
“Nós temos tantos lugares que as pessoas plantam para manter seu padrão de vida trabalhando na roça, e sem precisar queimar, desmatar, derrubar mata. Acredito que os produtores precisam de mais incentivo, assim como a Fundação Solidariedad me auxilia, para poder plantar de forma sustentável, sem interferir no meio ambiente”.
Lima produz cacau há 18 anos, e há dois, o cacau fino, que o levou ao concurso e hoje 95% de sua renda vem da produção de cacau e comemora o sucesso de estar concorrendo ao prêmio internacional. “É muito gratificante estar entre os 50 melhores cacaus do mundo, é uma sensação de felicidade saber que minha plantação é reconhecida. Tomara que esse prêmio fique nas nossas regiões e sirva como um incentivo”.
“Este resultado demonstra todo o potencial que o país tem para se consolidar no mercado internacional de cacau premium. É o resultado do trabalho e da dedicação destes produtores em campo. Demonstra a força das nossas origens, uma vez que foram contempladas amostras do Sul da Bahia e do Pará”, diz a bióloga Adriana Reis, doutora em biotecnologia e gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC).
A premiação vai ocorrer em outubro no Cocoa of Excellence, do Salon du Chocolat de Paris, o mais importante evento de chocolate e cacau do mundo.



