O Pará passou a contar com a primeira estação de recarga para veículos elétricos desenvolvida integralmente com biocompósito à base de fibras naturais amazônicas. O projeto foi financiado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), no âmbito do programa Centelha II.
A proposta substitui materiais sintéticos e metálicos por um biocompósito produzido com resina e fibras vegetais da região amazônica. A estrutura da estação — do design à fabricação — foi concebida com base em critérios de sustentabilidade e inovação tecnológica, alinhados a parâmetros internacionais sobre mobilidade elétrica.
Segundo dados da International Renewable Energy Agency (IRENA), até 2050 o mundo pode ultrapassar a marca de um bilhão de veículos elétricos em circulação, cenário que projeta forte crescimento na demanda por infraestrutura de recarga.
Integração com energia solar
O equipamento foi desenvolvido pela empresa S&L Energia e pode ser integrado a sistemas fotovoltaicos, ampliando o potencial ambiental da solução. De acordo com o engenheiro Márcio Leite, sócio da empresa, o biocompósito apresenta vantagens como menor impacto ambiental, renovabilidade, leveza e boa relação entre peso e resistência.
A estação pode atender tanto consumidores residenciais quanto empreendimentos comerciais e industriais, como condomínios, supermercados e centros comerciais.
Sustentabilidade e bioeconomia
O projeto também dialoga com debates globais sobre redução de emissões de carbono, tema amplamente discutido durante a COP30, realizada em Belém em 2025.
Além da inovação tecnológica, a iniciativa busca fortalecer a bioeconomia amazônica, agregando valor a recursos naturais da floresta e promovendo alternativas econômicas sustentáveis. Para a Fapespa, o financiamento foi decisivo para transformar a ideia inicial em um protótipo funcional e modelo de negócio estruturado.
Protótipo em funcionamento
O equipamento está instalado e em pleno funcionamento no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), onde a empresa desenvolvedora está sediada. O protótipo já foi apresentado a instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a parceiros do setor tecnológico.
Entre os potenciais parceiros citados estão a Phoenix Contact e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA).
Novo modelo comercial
Além da estação principal, a empresa desenvolveu um modelo do tipo wallbox, voltado para instalação fixa em residências e empresas. A nova versão já foi comercializada e está em operação.
Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, iniciativas como essa reforçam o papel da tecnologia e da pesquisa no fortalecimento de uma nova matriz econômica baseada na bioeconomia, com potencial de replicação em larga escala.



