A etapa de exames médicos do concurso da Polícia Militar do Pará resultou na reprovação de 3 mil dos 4 mil candidatos inscritos, um percentual que tem causado grande surpresa e polêmica. O edital do concurso, publicado pela Secretaria de Planejamento e Administração do Estado (Seplad), dedica quatorze páginas aos critérios médicos exigidos, mas a taxa de reprovação de 75% dos candidatos tem levado a questionamentos sobre a rigidez dos critérios adotados. As informações são do colunista Olavo Dutra.
Entre as exigências, destaca-se o Índice de Massa Corporal (IMC), parâmetro utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para calcular o peso ideal de cada indivíduo. O IMC é uma medida polêmica no contexto do concurso, com observadores questionando a relevância de sua aplicação rigorosa na avaliação de candidatos para a PM. Um comentarista apontou que nem a NASA, a agência espacial norte-americana, seria tão exigente com seus astronautas.
O comando da Polícia Militar e o governo do Estado ainda não se manifestaram oficialmente sobre os resultados e os critérios de avaliação até a manhã de hoje. Em uma nota breve, a PM informou: “Conforme a Secretaria de Estado de Planejamento e Administração (Seplad), os candidatos não aprovados na fase de avaliação de saúde dos concursos para praça e oficial da PM não preencheram requisitos técnicos dispostos no edital”. Não foram fornecidos mais detalhes.
A situação tem gerado indignação entre os candidatos reprovados, muitos dos quais alegam terem sido eliminados por motivos questionáveis, como histórico de cirurgias no joelho ou condições de saúde pré-existentes que não necessariamente comprometem a capacidade de serviço policial.
O Escritório Baglioli Dammski, Bulhões & Costa, que representa juridicamente alguns dos candidatos reprovados, emitiu um comunicado sobre o caso. Afirmou que a reprovação em massa é “uma situação excepcional” e que em “mais de dez anos acompanhando certames estaduais, jamais havíamos visto algo desta natureza”. Os advogados do escritório estão acompanhando os processos para garantir que os direitos dos candidatos sejam respeitados e que a avaliação seja justa e transparente.
A expectativa é que o número elevado de reprovações resulte em ações judiciais, com os candidatos buscando reverter as decisões e obter esclarecimentos sobre os critérios de avaliação adotados pela comissão organizadora do concurso.



