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Pará detém 93,8% do valor da produção nacional de açaí

Produção atingiu R$ 8,8 bilhões em 2024 e avanço das lavouras também contribui para captura de carbono.

Símbolo da cultura amazônica e base alimentar no Pará, o açaí se consolidou como um dos principais motores da economia regional. Um estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas mostra que o estado concentra 93,8% do valor total da produção nacional do fruto.

De acordo com o levantamento, a produção de açaí no Brasil cresceu de 145,8 mil toneladas em 1987 para 1,9 milhão de toneladas em 2024, um aumento de mais de 14 vezes em quase quatro décadas. Nesse cenário, o Pará lidera com 89,5% da produção nacional, seguido por Amazonas (7,2%) e Amapá (1,3%).

Dentro do estado, municípios como Igarapé-Miri, Cametá e Anajás concentram grande parte da produção, respondendo juntos por uma fatia significativa do volume nacional.

Crescimento econômico e geração de renda

O valor da produção paraense saltou de R$ 509,7 milhões em 1994 para R$ 8,8 bilhões em 2024, evidenciando a expansão da cadeia produtiva.

Esse avanço também se reflete no mercado de trabalho. O número de estabelecimentos produtores cresceu de pouco mais de 5 mil na década de 1980 para mais de 81 mil, integrando desde pequenos agricultores até grandes produtores.

Além disso, a atividade movimenta diversos setores, como transporte, beneficiamento e comercialização, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

Exportações em alta

O açaí também ganhou espaço no mercado internacional. As exportações de derivados do fruto passaram de US$ 334 mil em 2002 para US$ 127,8 milhões em 2024.

O preço médio por tonelada exportada também subiu de forma significativa, refletindo a valorização do produto no exterior e o aumento da demanda global.

Produção aliada à sustentabilidade

Além da importância econômica, o cultivo do açaí tem impacto ambiental positivo. Entre 2015 e 2024, a área cultivada no Pará passou de 135 mil para 252 mil hectares, contribuindo para a recuperação de áreas e o reflorestamento.

Com isso, a capacidade de captura de dióxido de carbono (CO₂) quase dobrou, chegando a cerca de 907 mil toneladas em 2024, reforçando o papel da cultura como aliada no combate às mudanças climáticas.

Segundo Márcio Ponte, o açaí paraense se destaca não apenas pela liderança econômica, mas também por seu papel ambiental, atuando como um importante “sumidouro” de carbono.

Desafio é avançar em tecnologia

Para manter essa posição de destaque, especialistas apontam que o futuro da cadeia produtiva depende de investimentos em inovação.

O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, destaca que é fundamental ampliar o uso de tecnologia no cultivo e no processamento do fruto, garantindo uma produção sustentável e competitiva no cenário global.

Com isso, o açaí segue não apenas como um ícone cultural da Amazônia, mas também como um dos pilares do desenvolvimento econômico e ambiental do Pará.

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