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Nice Tupinambá critica Banda AR-15 por uso superficial de referências indígenas em nova música

Ativista pede mais responsabilidade cultural e sugere diálogo com povos originários na produção artística

A ativista indígena Nice Tupinambá criticou o uso que considera estereotipado e sem fundamento de referências indígenas na nova música da Banda AR-15. O lançamento, um melody paraense, faz homenagem à aparelhagem Tupinambá, que retorna em abril após anos sem atividade.

Segundo Nice, a crítica não tem como objetivo gerar ataques ou “lacrar” nas redes sociais, mas sim promover reflexão. Ela afirma que não pretende incentivar hate contra a banda, o brega ou o universo das aparelhagens, e reforça que seu posicionamento busca abrir diálogo sobre representações culturais.

A ativista chama atenção para o uso de termos considerados ultrapassados ou pejorativos, como “tribos”, e para a prática de se fantasiar de indígena sem contexto ou autorização. Para ela, esse tipo de abordagem reforça estereótipos e desconsidera a diversidade e a realidade dos povos originários.

Nice destaca que os povos indígenas têm hoje mais espaço, voz e protagonismo para falar por si mesmos. “Não estou aqui para atacar, mas para provocar reflexão. Se for necessário, também sei me posicionar”, afirmou.

Ela também ressaltou que muitas pessoas reproduzem expressões ou práticas preconceituosas por falta de informação, e defendeu o diálogo como caminho principal, especialmente com quem ainda não tem acesso ao debate.

A ativista reforça que o termo correto é “povos”, e não “tribos”, e critica a caracterização de indígenas como fantasia. Para ela, esse tipo de representação, quando feito por não indígenas sem propósito educativo ou de fortalecimento da luta indígena, configura apropriação cultural e reforça visões equivocadas.

“Os povos indígenas não estão no passado. São mais de 300 povos, com culturas vivas e diversas. A melhor homenagem é conhecer, respeitar e dar visibilidade às suas lutas”, destacou.

Por fim, Nice Tupinambá sugeriu que o projeto possa ser revisto. Entre as possibilidades, ela propõe a regravação do clipe com a participação de povos originários, garantindo representatividade e evitando abordagens consideradas superficiais.

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