Na sua opinião, qual destas cantoras representa melhor o Pará nacionalmente?
O Pará é um grande celeiro de artistas. É o estado da Amazônia mais influente culturalmente, falando. No entanto, apesar disso, o estado ainda tem dificuldades de impor um cenário robusto e duradouro a nível nacional, ficando dependente de nomes específicos que fazem o seu ciclo. Apostou-se muito no tecnobrega como um ritmo que poderia explodir a nível nacional, mas ele não aconteceu como deveria, a exemplo do Funk e Sertanejo, que não possuem um nome, mas são indústrias que emplacam cantores atrás de cantores e hits atrás de hits.
Além da distância dos grandes centros econômicos e culturais, o famoso eixo Rio-São Paulo, há uma certa briga de ego entre os próprios artistas paraenses, isso quando não acontecem certas panelinhas. Quem consegue romper nossas fronteiras, não puxa quem está por aqui e que tem potencial para fazer sucesso em outras regiões do Brasil. Por isso vivemos de nomes.
Fafá de Belém é um nome consagrado da música brasileira, com uma carreira duradoura, estabelecida e celebrada por todo o Brasil e no exterior, principalmente em Portugal, onde é considerada embaixadora da música brasileira.
Joelma explodiu no início dos anos 2000 quando estava à frente da Banda Calypso, projeto que tocava junto com seu ex-marido, Ximbinha. Com ritmos regionais como carimbó, lambada, brega, cumbia e merengue, a Banda Calypso tornou-se campeã em vendagens de CDs e DVDs na década passada. A banda foi descontinuada em 2015. Joelma seguiu carreira solo, embora não consiga ter o desempenho que tinha com a Banda Calypso, uma vez que nesse tempo a indústria da música mudou, sendo os aplicativos de músicas e visualizações de clipes alguns dos principais parâmetros para medir a popularidade de artistas. Ela continua se reinventando e mantendo uma agenda de shows lotados, mostrando que ainda é popular pelos rincões deste país.
Gaby Amarantos foi a grande aposta do tecnobrega como o novo ritmo que se esperava emplacar a nível nacional. No seu caso, houve até um grande empenho da mídia do Sudeste, como a TV Globo, onde ela teve o seu maior e único sucesso nacional, a famosa música “Ex-mai love”, tema de abertura da novela Cheias de Charme. Gaby tentou outros ritmos, voltou-se para trabalhos mais conceituais e de nicho, mas sem sucesso e apelo popular. Recentemente, regravou antigos sucessos da Banda Tecnoshow, voltando às suas origens do tecnobrega.
Manu Bahtidão é um nome polêmico, talvez por sua personalidade forte. Mas olhando apenas para o lado profissional, ela vem fazendo um excelente trabalho de resgate do tecnomelody paraense, que havia perdido espaço nos últimos anos para o funk, sertanejo e o próprio “rock doido”. A cantora alagoana, mas paraense de coração, emplacou os maiores hits do tecnomelody nos últimos 2 anos e vem se consagrando em todo o Pará e em outros estados do Norte e Nordeste. Das apresentadas até aqui, é a cantora menos conhecida a nível nacional, mas com o maior potencial para explodir por todo o Brasil.
Qual destas cantoras, em sua opinião, melhor representa o Pará?



