Localizado no estado do Amapá, o município de Itaubal do Piririm chama atenção por dados que evidenciam uma elevada dependência de programas de transferência de renda e um mercado de trabalho formal extremamente restrito. Segundo informações oficiais, cerca de 93% da população depende do Programa Bolsa Família, enquanto apenas 29 moradores têm emprego com carteira assinada.
Cenário socioeconômico
Com uma população estimada em torno de 6 mil habitantes, aproximadamente 5.640 pessoas estão cadastradas em famílias beneficiárias do Bolsa Família, o que representa quase toda a cidade. Por outro lado, apenas 29 empregos formais foram registrados no município, o que equivale a um emprego formal para cada 215 moradores — um índice muito abaixo da média nacional e regional.
Indicadores adicionais corroboram a fragilidade econômica local: existem menos de 80 veículos registrados no município, equivalente a cerca de 13 carros por mil habitantes, sugerindo baixa circulação econômica e limitações na mobilidade da população. A renda média anual por pessoa gira em torno de R$ 15 mil, o que corresponde a pouco mais de R$ 1.200 por mês e está em patamares comparáveis a países com baixo desenvolvimento econômico.
Estrutura econômica e arrecadação
Levantamentos econômicos indicam que grande parte da economia local depende de repasses públicos. O Produto Interno Bruto (PIB) de Itaubal é estimado em cerca de R$ 87,9 milhões, dos quais 72,7% têm origem na administração pública, ou seja, no gasto do setor público municipal, em detrimento da iniciativa privada e da produção de bens e serviços próprios.
O orçamento municipal previsto para 2024 superou R$ 20 milhões, mas menos de R$ 800 mil correspondem à arrecadação própria por meio de tributos como IPTU e ISS — o restante provém de repasses federais e estaduais. Nesse contexto, a folha de pagamento do município consome cerca de R$ 10 milhões por ano.
Desafios estruturais
A alta dependência de programas sociais e a quase ausência de empregos formais colocam em evidência os desafios enfrentados por municípios de baixa arrecadação e limitada atividade econômica no Brasil. Especialistas em economia e políticas públicas analisam que cenários como o de Itaubal refletem não apenas a vulnerabilidade social, mas também a necessidade de políticas estruturantes que ampliem a oferta de trabalho formal e diversifiquem as fontes de renda locais.
Fonte: dados oficiais de registros públicos e análises econômicas (Portal do Bolsa Família, IBGE, CAGED e Portal da Transparência) compilados em reportagem originalmente publicada pelo portal Eu Ideal.



