
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) concentra atualmente 85,6% da atividade da construção civil no Brasil, conforme levantamento da Abrainc em parceria com a Fipe. No Pará, a participação do programa tende a ser ainda maior, segundo o Ministério das Cidades. Além da redução do déficit habitacional, a política pública impacta o Produto Interno Bruto (PIB), a geração de empregos, a arrecadação de tributos e o funcionamento da cadeia produtiva do setor.
Dados do governo federal indicam que, entre 2023 e 2025, o Pará contratou 45,5 mil unidades habitacionais pelo Minha Casa, Minha Vida, com investimentos que totalizam R$ 5,03 bilhões. No período, o programa sustentou a atividade da construção civil e contribuiu para a criação de milhares de postos de trabalho diretos e indiretos.
Em entrevista ao Grupo Liberal, o ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que o programa atingiu a meta nacional de 2 milhões de moradias contratadas antes do prazo previsto. Segundo ele, o volume já se aproxima de 2,2 milhões de unidades e a projeção do governo federal é alcançar 3 milhões de contratos até o fim de 2026.
No Pará, o ministro informou que o número de moradias entre contratadas e em execução se aproxima de 40 mil, considerando tanto financiamentos quanto empreendimentos viabilizados com recursos do Orçamento Geral da União.
Um dos fatores que contribuíram para a ampliação do programa na região Norte foi o aumento do subsídio habitacional para famílias de baixa renda. Desde janeiro, o valor máximo passou de R$ 55 mil para R$ 65 mil nos estados da região. De acordo com o Ministério das Cidades, a medida ampliou o acesso ao financiamento imobiliário em municípios como Belém, Santarém e Marabá.
Economistas avaliam que o Minha Casa, Minha Vida exerce papel central na economia estadual. Para Genardo Oliveira, o volume de investimentos contratados no Pará gera efeitos diretos sobre o PIB e amplia a demanda por insumos e serviços ligados à construção civil, como cimento, cerâmica, madeira, transporte e prestação de serviços.
O economista Nélio Bordalo, do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá (Corecon-PA/AP), destaca que o crescimento do setor também reflete na arrecadação estadual e municipal. Segundo ele, a ampliação do emprego formal aumenta a base de recolhimento de tributos como ISS, ICMS, INSS e FGTS, além de estimular o consumo local.
Relatórios da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam que a retomada do programa habitacional contribuiu para um crescimento de 4,3% da construção civil, acima das projeções iniciais do setor.
O desempenho do Pará acompanha a expansão nacional do mercado imobiliário. Levantamento da Abrainc/Fipe mostra que, até outubro de 2025, foram lançadas 161.709 unidades imobiliárias no país, aumento de 34,6% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 138.985 unidades estavam vinculadas ao Minha Casa, Minha Vida, o equivalente a cerca de 86% dos lançamentos.
Em valores, o mercado imobiliário movimentou R$ 59,4 bilhões em novos empreendimentos no período, sendo R$ 34,8 bilhões associados ao programa habitacional, consolidando o MCMV como principal indutor da construção civil no Brasil.
No Pará, o Sindicato da Indústria da Construção do Estado (Sinduscon-PA) informa que o programa impulsionou o volume de obras e lançamentos desde 2023. Segundo a entidade, apenas em 2025 foram contratadas 8.225 unidades habitacionais no estado. O Pará também figura entre os estados com maior número de propostas apresentadas para a Faixa 1 do programa, voltada a famílias sem capacidade de financiamento.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que a construção civil está entre os setores que mais geraram empregos formais no Pará nos últimos anos, movimento associado à expansão do Minha Casa, Minha Vida e ao aumento da demanda por fornecedores e prestadores de serviços locais.
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