DENÚNCIA

Médicos cubanos da linha de frente da pandemia estão há dois meses sem receber salários do governo do PA

Os médicos cubanos contratos pelo governo do Pará para reforçar o combate à pandemia pelo novo coronavírus denunciam que estão há dois meses sem receber salários, isto é, estão sem receber desde quando começaram a atuar nos hospitais de campanhas do estado, no Abelardo Santos e nas Unidades de Pronto Atendimento.

Um dos médicos, que não quis se identificar por medo de sofrer represálias, em entrevista ao O Liberal, confirmou a informação. Segundo ele, outros 150 médicos cubanos estariam na mesma situação.

O médico cubano mostrou o contrato de trabalho. De acordo com o documento, a empresa contratante pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) é a Medplantões Clínica Médica Ltda, de São Paulo.

O objeto do contrato é de especialidade médica, através de plantão em local determinado, no período de seis horas diárias, no máximo, todos os dias da semana.

A maioria, cerca de 80 dos 150 médicos, estão no Abelardo Santos, no Distrito de Icoaraci. No entanto, alguns chegaram a viajar para outros municípios para reforçar o atendimento.

“Não recebemos há dois meses, desde 29 de maio. O contrato assinado com a empresa, dia 29 de abril, traz que o pagamento é até 10 dias úteis no mês. A informação é de que o governo repassou o pagamento à empresa, mas ela não se responsabiliza em nos pagar. Tenho família e preciso receber pelo meu trabalho para nos manter. Quando estava sem emprego, eu cheguei a vender coxinha e fazer serviço de pedreiro, e nunca deixei de comprar um bolo no aniversário do meu filho, mas desta vez isso aconteceu. Mesmo trabalhando o dobro do tempo para qual fui contratado. Isso é muito triste”, reclama o médico.

O médico denuncia que as horas extras também não estão sendo pagas. “Nosso salário é de R$ 10 mil com contrato de seis horas de trabalho todos os dias, mas trabalhamos 12 horas. A cada seis horas a mais fica como horas extras no valor de R$ 333,00, mas nem isso a gente ainda recebeu. Tudo é pago, menos o hotel e a comida. Temos que pagar para lavar nossas roupas, mas como fazer isso se nem salário nós temos”, continua.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública argumentou que “os pagamentos são de responsabilidade das organizações sociais. O Estado está em dia com os repasses dos recursos para as mesmas, mas segue analisando o relatório de produtividade das OS”.

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