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Manifestação pede justiça pelo cão “Orelha” na Praça da República, em Belém

Ato pediu justiça pela morte do cão Orelha e reforçou cobrança por punições mais efetivas contra maus-tratos a animais

A Praça da República, no centro de Belém, foi palco de uma grande mobilização em defesa da causa animal na manhã deste domingo (1º). Centenas de pessoas participaram de um manifesto que integrou um movimento nacional por justiça pela morte do cão Orelha, caso que ganhou repercussão em todo o país.

O ato reuniu protetores independentes, tutores de animais, servidores públicos, professores e ativistas ligados à proteção animal. De acordo com a organização, a participação superou as expectativas iniciais. Um dos organizadores, Kellyson Miranda, estimou que mais de 1,5 mil pessoas passaram pelo local ao longo da programação.

Segundo ele, a mobilização reflete o crescimento do engajamento social em torno da pauta animal. “Foi uma resposta muito forte da sociedade. O que vimos hoje foi um protesto contra a impunidade e um pedido claro por justiça, não só pelo Orelha, mas por todos os animais vítimas de violência”, afirmou.

Durante o manifesto, os participantes defenderam a aplicação rigorosa da legislação que trata dos crimes de maus-tratos a animais. Para os organizadores, embora a lei preveja punições severas, ainda há falhas na sua efetivação. Cartazes, faixas e discursos reforçaram a cobrança por responsabilização dos envolvidos no caso.

A tutora Ana Sena participou do ato ao lado da filha, Mayara Sena, após tomar conhecimento da mobilização pelas redes sociais. “É revoltante saber que algo assim aconteceu. A gente espera que haja punição e que esse tipo de crime não seja tratado com descaso”, disse Ana. Mayara destacou que o caso teve impacto pessoal. “Quem tem animal sente isso de perto. Existem muitos ‘Orelhas’ todos os dias. A gente não pode se calar”, afirmou.

A servidora pública Raphaella Lima também marcou presença e ressaltou sua atuação anterior em ações de políticas públicas voltadas à causa animal. “Esse caso toca profundamente. Como tutora e como alguém que já trabalhou com vacinação e castração, espero que a justiça seja feita e que haja avanços concretos”, declarou.

Representando o arquipélago do Marajó, o professor Sandro Queiroz participou do manifesto em nome do projeto Amicão, que atua desde 2017 com educação, resgate e adoção de animais em municípios como Soure e Salvaterra. “Os maus-tratos ainda são frequentes na nossa região. Estamos aqui para pedir justiça pelo Orelha e conscientização para evitar novos casos”, explicou.

O caso de Orelha ocorreu em Santa Catarina e ganhou repercussão nacional após a confirmação de que o cão morreu no início de janeiro, em decorrência de ferimentos graves na cabeça. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, o animal precisou passar por eutanásia durante atendimento veterinário. A Polícia Civil investiga quatro adolescentes suspeitos de envolvimento e já realizou mandados de busca e apreensão.

Em Belém, os organizadores afirmam que o manifesto vai além do caso específico e busca ampliar o debate sobre violência contra animais e fortalecimento das políticas públicas de proteção. Novas mobilizações não estão descartadas caso não haja avanços nas investigações.

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