A decisão do chef paraense Saulo Jennings de não participar do jantar do Earthshot Prize 2025, evento criado pelo príncipe William e voltado à causa ambiental, continua repercutindo. Após o cozinheiro afirmar que recusou o convite por considerar incoerente apresentar a culinária amazônica em um menu 100% vegano, a ativista Luisa Mell se manifestou criticando sua postura.
Jennings, fundador do restaurante Casa do Saulo, em Santarém (PA), é reconhecido internacionalmente por valorizar ingredientes regionais e pelo trabalho de manejo sustentável do pirarucu. Ele havia sido convidado para comandar o menu da cerimônia, que ocorre em 5 de novembro, no Rio de Janeiro, mas desistiu ao saber da restrição total a ingredientes de origem animal. O jantar agora será assinado exclusivamente pela chef Tati Lund, do Org Bistrô, referência em gastronomia vegana no país.
Em entrevista, Luisa Mell afirmou que se surpreendeu com a recusa do paraense.
“Como querem fazer um evento de meio ambiente que a alimentação não seja vegana? Entendo o lado dele, porque ele não é especialista neste tipo de cozinha. Mas é preciso reconhecer que nossa dieta é uma das principais causas do aquecimento global”, declarou.
A ativista ainda reforçou que o desmatamento da Amazônia está diretamente ligado à criação de gado e à produção de grãos para ração animal:
“A destruição da Amazônia decorre do desmatamento para virar pasto – pasto para o boi diretamente ou para o plantio de soja e milho que alimentam esses animais. Qualquer ambientalista sério hoje precisa ser vegano”, completou.
Saulo Jennings, por sua vez, afirma que respeita o veganismo, mas defende que a culinária amazônica deve ser apresentada com autenticidade, inclusive em eventos internacionais.
“Não faz sentido representar a Amazônia sem poder usar seus peixes. O pirarucu, por exemplo, é símbolo de sustentabilidade e manejo comunitário. É parte da nossa identidade”, disse recentemente.



