A conquista do primeiro lugar no curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA) deveria marcar apenas o início de uma nova etapa acadêmica para a estudante Olivia Natalina, de 18 anos. No entanto, após compartilhar um vídeo comemorando a aprovação ao lado do pai, a jovem passou a receber ofensas, mensagens preconceituosas e até ameaças de morte nas redes sociais.
Natural de Baião, no nordeste do Pará, Olivia foi aprovada por meio do Processo Seletivo Especial (PSE) Indígena e Quilombola 2026. Liderança quilombola e filha de trabalhadores rurais, ela celebrou a conquista contando sua trajetória de superação, mas afirma que a exposição também resultou em ataques com linguagem violenta e intimidações diretas.
Segundo a estudante, todas as mensagens foram registradas e documentadas, e um boletim de ocorrência já foi formalizado.
Apesar da grande repercussão positiva do vídeo em diferentes regiões do país, Olivia relata que também enfrentou uma “enxurrada de comentários ofensivos e preconceituosos”. Em nota pública, ela repudiou os ataques e destacou que não aceitará a normalização da violência.
“Embora as discordâncias sejam legítimas, ofensas, difamação, racismo e ameaças são crimes e não serão tolerados. Todas as ameaças foram devidamente registradas e documentadas”, afirmou.
Conquista marcada por resistência
Olivia ressaltou que sua aprovação representa não apenas um resultado individual, mas o reflexo de uma luta coletiva.
“Como jovem quilombola e filha de trabalhadores, sou fruto da luta e resistência do meu povo. O espaço que hoje ocupo não é um favor, mas um direito conquistado”, declarou.
Ela também reforçou que seguirá buscando providências legais caso os ataques continuem.
“Não me calarei diante do racismo, da violência e das tentativas de silenciamento. Seguiremos ocupando, resistindo e avançando.”
Investigação
A estudante informou que está reunindo provas para responsabilizar judicialmente os autores das ameaças. Casos de racismo, injúria racial e ameaças podem configurar crime, conforme a legislação brasileira.
A UFPA ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso até a publicação desta matéria.



