A cena musical paraense será um dos grandes destaques nos palcos do The Town e do Amazônia Live, festivais que prometem dar visibilidade à cultura amazônica em escala nacional e internacional. No centro desse movimento está Joelma, que não esconde a felicidade em dividir o palco com outras artistas do Pará, formando um time que representa diferentes gerações e sonoridades da região.
“Foi uma conquista na raça, nós tivemos que lutar muito para mostrar que éramos capazes. Hoje, temos quatro gerações do Norte do Pará reunidas num só palco. É um espetáculo paraense com toda a nossa musicalidade, que é versátil demais”, afirmou Joelma, destacando a curadoria do diretor musical Diego Ramos.
A força das mulheres paraenses
O line-up contará com Joelma, Dona Onete, Gaby Amarantos e Zaynara, quatro artistas que representam a diversidade cultural do Pará. Segundo Joelma, o objetivo é levar ao público a riqueza rítmica da Amazônia:
“Vai ter carimbó, tecnobrega, calypso, cúmbia, merengue. É muita riqueza e é isso que a gente vai mostrar”, revelou a cantora, que promete um show vibrante e cheio de referências da música regional.
Inovações e novas linguagens musicais
Joelma também se mostrou entusiasmada com as novidades da música paraense, como o beat melody e o chamado “rock doido”, estilos que têm ganhado espaço com artistas da nova geração, como Zaynara.
“A gente sempre misturou muita coisa. Tem um calypso que parece mais rock do que calypso, com guitarras distorcidas e muita bateria. Quero levar tudo isso para esse show”, adiantou Joelma.
“O Pará é muito voltado para música latina e influenciado por gêneros que chegam das Guianas. Temos um ritmo chamado soca, um merengue acelerado que as aparelhagens tocam muito lá em Belém”, completou.
Do preconceito à afirmação cultural
Joelma relembrou o preconceito sofrido pelo brega paraense nos primeiros anos de sua carreira, quando o gênero era constantemente confundido com o brega nordestino.
“Quando a gente começou, perguntavam: ‘Que ritmo vocês tocam?’ Aí os dançarinos respondiam: ‘É brega!’ E as pessoas: ‘Ah, igual ao do Falcão?’ (risos). Eu reuni a galera e falei: ‘Vocês não vão mais falar isso. Agora, quando perguntarem, digam que a gente toca calypso’”, contou Joelma.
Zaynara: a renovação da cena paraense
Aos 24 anos, Zaynara é considerada uma das representantes da nova música amazônica e celebra o encontro com Joelma e Gaby Amarantos nos palcos dos festivais.
“Eu tenho o meu beat melody caminhando e Joelma tem o calypso e toda a irreverência no palco. A força de cada uma, unida, faz chegar a mais lugares. E com todo o trabalho que a gente tem feito, vão se abrir caminhos para mais artistas, porque tem muita gente boa no Pará”, destacou Zaynara, que já gravou com Joelma e Gaby.
Gaby Amarantos: diversidade e afro-futurismo amazônico
Gaby, que também participará da apresentação, reforça a importância da representatividade feminina e da pluralidade da música amazônica.
“Cada uma tem a sua forma de comunicar. É muita diversidade porque a Amazônia é gigante. A gente nunca pode ter uma representante só. Quero estar no palco cantando com elas. As meninas trazem uma renovação da linguagem que é muito moderna, para mostrar o quanto a gente é tecnológico e o quanto conseguimos ser sublimes com todo o nosso afro-ribeirinho-futurismo”, explicou a artista.



