
Neste sábado, 20, o ex-governador Simão Jatene veio a público se manifestar sobre o atual momento que o estado do Pará vive: obviamente, sobre o cenário pandêmico, mas também sobre os escândalos que cercam o governo do estado e as demonstrações nada republicanas de Helder Barbalho contra a imprensa que denuncia irregularidades no atual governo.
Jatene citou filósofo irlandês Edmund Burker, um dos mais importantes teóricos para o liberalismo e o conservadorismo e que deu importantes bases para as democracias atuais como a liberdade de crença, a liberdade política e a liberdade de pensamento (Valores estes em risco no estado do Pará).
A frase que Jatene cita de Burker é “Para que o mal triunfe, basta os bons ficarem de braços cruzados.”, um complemento ao texto de Martin Niemöller, Teólogo protestante alemão preso pelo nazismo que ele usa no início do seu texto.
Ficar calado? Talvez essa pergunta resume o que Jatene quer instigar com as duas citações. Ficar calado vendo tudo isso acontecer e não fazer nada?
O ex-governador demonstra preocupação com o que ele chama de “abominável desejo de exercer um poder absoluto, ainda que para tanto tenha que esconder e desvirtuar a realidade e os fatos; desrespeitar leis e instituições”.
Não é à toa, portanto, que ele cite Burker.
Jatene também pondera sobre o atual cenário em meio à pandemia e suas implicações na vida da população paraense nos mais diversos aspectos. “Inegavelmente, poucas vezes vivemos tempos tão desafiadores. A pandemia, ao tempo que assusta e fragiliza as pessoas física e emocionalmente, silenciosamente, também corrói os pilares da economia, esgarça o tecido social, e expõe as fraturas de um sistema político partidário carcomido e corrompido, no qual alguns representantes que dele se beneficiam, tentam a todo custo ampliar seu poder e riqueza, temendo um futuro adverso”.
EX-GOVERNADOR LEMBRA DOS JORNALISTAS E BLOGUEIROS VÍTIMAS DE OPERAÇÕES POLICIAIS
Simão Jatene relembra as velhas práticas políticas usadas pela família Barbalho. Para o ex-governador, Helder Barbalho ainda não desceu do palanque e continua com as velhas práticas de campanha contra os adversários.
Jatene cita o exemplo do uso dos veículos de comunicação da família Barbalho, que usa concessão pública, para consolidar seu projeto de poder e destruir reputação de quem ousar pisar na sua frente. “E para isso, sem qualquer escrúpulo, cria e difunde mentiras com objetivo de intimidar adversários e manipular a população, fortalecendo a velha política”, diz o ex-governador.
Ele lembra das operações da polícia civil contra jornalistas, blogueiros e profissionais do marketing que denunciam possíveis irregularidades em contratos e licitações do governo do Pará firmados durante a pandemia. Jatene cita o exemplo dos hospitais Abelardo Santos e de Capenema que, segundo ele, ‘foram mantidos mantidos inoperantes por capricho do “chefe”, sob o olhar de um parlamento, na sua quase totalidade silencioso e obediente. Por pura politicagem e certeza de impunidade, vimos a Policlínica, os Regionais de Itaituba e Castanhal, deixados em fase de acabamento, só receberem atenção quando a pandemia já havia ceifado milhares de vidas’.
Para o tucano, essas seriam as razões para “medidas repressivas e tentativas de controle da informação por parte do Governo Estadual”. Além disso, lembra que o governo Helder Barbalho usa de maneira desrespeitosa a polícia civil do Pará, isto é, a polícia do Estado virou polícia do governador. “Substituindo a nobre missão de defender a sociedade, pela mesquinha e covarde tarefa de perseguir desafetos”, completa Jatene.
EX-GOVERNADOR LEMBRA DA IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS PARA DENUNCIAR OS ESCÂNDALOS DO ATUAL GOVERNO
Simão Jatene lembrou da importâncias das redes sociais na função de denunciar os sucessivos escândalos que surgiram em meio à pandemia pelo novo coronavírus.
“Foram as redes sociais que permitiram a população , não apenas tomar conhecimento do maior e mais deslavado conjunto de escândalos sobre a utilização do dinheiro público no Estado em tão pouco tempo. Foram alguns corajosos inter-nautas que repercutiram os desmandos do governo e revelaram fatos importantes, que acabaram contribuindo para as operações da Polícia Federal, que fundadas em contundentes e vergonhosas informações amplamente divulgadas nacionalmente, já chegaram no Palácio do Governo e na casa do próprio governador”, diz Jatene no texto em suas redes sociais.
O ex-mandatário do Pará diz que a real intenção do governador do Pará é “calar as mídias sociais é se vingar daqueles que ousaram dizer pra população que o “rei está nu”. É evitar novas denúncias. É garantir que “está tudo dominado”, logo “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.
JATENE LEMBRA DAS FAKES NEWS DOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DA FAMÍLIA BARBALHO
Quando mandatário do Pará, Jatene também teve que lidar com as velhas práticas da família Barbalho. O ex-governador cita que foi vítima de diversas fake news criadas pelo grupo de comunicação de Helder, antes mesmo deste termo ter se popularizado.
“Seria até cômico, se não fosse trágico, lembrar como mesmo antes da palavra “fake news” estar na moda, os veículos de comunicação do atual governador e sua família, usaram amplamente a foto de uma criança numa caixa de sapatos feita em um hospital de Honduras, como sendo na nossa Santa Casa”, lembra Jatene.

Além de lembrar esse marcante e lamentável episódio na história do jornalismo paraense, Jatene também lembrou de fakes news recentes do próprio governo do estado.
A primeira a ser citada foi aquele episódio da Secretaria de Saúde do Pará (SESPA) que mostrou um vídeo de respiradores comprados pelo governo do Pará funcionando no hospital de campanha do Hangar quando já se espalhava pelas redes sociais que os respiradores comprados pela SKN do Brasil não funcionavam. O vídeo foi publicado no twitter oficial da SESPA e depois foi apagado, quando já não tinha mais como esconder que nenhum daqueles 152 respiradores não funcionavam. Tal situação gerou investigação pela Polícia Federal que resultou em mandados de busca e apreensão no palácio do governo, na mansão de Helder, na casa do secretário de saúde, Alberto Beltrame e outros funcionários públicos e secretários estaduais.

O outro episódio foi o das ambulâncias, quando Helder Barbalho, em sua conta oficial, em uma tentativa de minimizar as críticas que sofria pelo contrato de ambulâncias por de R$ 245 mil por mês, resolveu publicar que a prefeitura de Belém teria gasto R$ 334 mil. No entanto, de forma conveniente, Helder não explicou que o valor pago pela prefeitura se refere ao aluguel de 9 ambulâncias por 6 meses, o que representa um gasto mensal por ambulância de 6 mil reais, ou seja, 40 vezes menor que o aluguel pago pelo Estado.

“Exemplos não faltam pra demonstrar que por trás de uma legítima e necessária proteção da sociedade, o que estamos vivendo, aqui no Estado, com a omissão de uns, conivência e conveniência de outros, é o progressivo e perigoso aparelhamento das instituições por parte dos que se pretendem donos do Pará, com o objetivo de servir propósitos nada republicanos, perseguindo quem lhe desagrada, e calando qualquer voz dissonante”, conclui Jatene.
“A sociedade é resultado do comportamento de seus membros. Estamos vivendo uma enorme inversão de valores, a ponto de algumas “autoridades”, que deviam estar presas estarem mandando prender, entretanto, é bom lembrar que conforme já foi exaltado, se não podemos mudar o passado, pelo menos, podemos fazer um novo futuro”,finaliza Jatene



