Invasão a terminal no Pará acende alerta para exportações do Arco Norte e pode afastar empregos e investimentos do Estado
ABTP afirma que ataques ao terminal de Santarém comprometem segurança jurídica e colocam em risco a continuidade de operações estratégicas para o agronegócio e a economia paraense
A invasão e depredação do Terminal Portuário de Santarém, no oeste do Pará, acenderam um sinal de alerta no setor logístico nacional. A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) divulgou nota de repúdio aos atos de violência registrados entre a noite de 20 e a madrugada de 21 de fevereiro, que também incluíram ataques ao escritório da Cargill, em São Paulo.
Segundo a entidade, a ocupação irregular do terminal envolveu destruição de equipamentos, danos a estruturas operacionais e ameaças a trabalhadores, que teriam permanecido com a liberdade restrita por horas. Para a ABTP, práticas dessa natureza “são incompatíveis com o exercício legítimo do direito de manifestação” e comprometem atividades consideradas essenciais para a logística nacional.
Terminal estratégico para o Arco Norte
O terminal de Santarém é peça-chave do chamado corredor logístico do Arco Norte — rota que concentra parcela crescente das exportações brasileiras de soja e milho, especialmente oriundos do Centro-Oeste. A estrutura é utilizada para o transbordo de cargas transportadas por hidrovias e rodovias com destino ao mercado internacional.
Nos últimos anos, o Arco Norte se consolidou como alternativa aos portos do Sudeste, reduzindo distâncias no transporte terrestre e diminuindo custos de exportação do agronegócio. Esse movimento fortaleceu o Pará como eixo estratégico da logística nacional, atraindo investimentos privados e ampliando a geração de empregos diretos e indiretos no Estado.
A paralisação ou instabilidade em um terminal dessa relevância, segundo avaliação do setor, pode comprometer contratos, gerar atrasos no escoamento da produção e afetar a credibilidade da região como destino seguro para investimentos.
Risco para empregos e ambiente de negócios
Na nota, a ABTP destacou que as reivindicações associadas aos protestos envolvem temas de competência do Governo Federal e avaliou que direcionar ações contra empresas privadas “fragiliza a segurança jurídica e coloca em risco empregos, renda e a continuidade das operações”.
Para especialistas do setor portuário, episódios de invasão e interrupção forçada de atividades podem afetar decisões futuras de investimento no Estado, especialmente em um momento em que o Arco Norte disputa protagonismo logístico com outras regiões do país.
Além dos impactos imediatos sobre a operação portuária, há preocupação com possíveis reflexos na cadeia produtiva, que envolve transportadores, trabalhadores portuários, fornecedores de serviços e comércio local.
Pedido de atuação das autoridades
A associação declarou solidariedade à empresa e solicitou às autoridades públicas medidas imediatas para restabelecer o funcionamento seguro do terminal, garantir a integridade dos trabalhadores e assegurar a apuração dos fatos, incluindo a realização de perícias técnicas para dimensionar os danos.
Para a ABTP, a manutenção de um ambiente estável e previsível é condição fundamental para que o Pará continue atraindo investimentos logísticos e consolidando sua posição como porta de saída estratégica das exportações brasileiras pelo Arco Norte.



