Imagens revelam avanço de ocupações e desmatamento em área de floresta em Vila dos Cabanos
Registros de satélite e drone mostram redução drástica da vegetação nativa em terreno público de Barcarena; construções irregulares persistem apesar de operações e decisões judiciais
Imagens de satélite e registros aéreos feitos ao longo dos últimos anos mostram uma transformação acelerada na paisagem de uma área pública de floresta localizada na zona urbana de Vila dos Cabanos, em Barcarena, nordeste do Pará. Desde o segundo semestre de 2023, ocupações irregulares, desmatamento e indícios de loteamento clandestino avançaram sobre o terreno, reduzindo significativamente a cobertura vegetal em menos de três anos.
A área afetada fica entre as avenidas Dom Romualdo Coelho — com extensão até os fundos da Travessa João Nepomuceno — e Antônio Carlos Vilaça. Comparações feitas pela reportagem do Portal Barcarena entre imagens anteriores às invasões e registros mais recentes, inclusive captados por drone, evidenciam o surgimento de clareiras abertas na mata, ruas improvisadas e construções de madeira e alvenaria.
O que antes era predominantemente coberto por vegetação nativa hoje apresenta trechos degradados, com solo exposto e sinais de parcelamento irregular do terreno.
Operações tentam conter avanço
Na última terça-feira (10), uma nova operação coordenada por órgãos municipais, com apoio da Polícia Militar, foi realizada para tentar frear o avanço das construções e do desmatamento. A ação ocorreu após denúncias de novas ocupações em área pública.
Essa não é a primeira intervenção no local. A primeira operação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMADE) ocorreu em dezembro de 2023. Desde então, o terreno passou a ser alvo de fiscalizações periódicas, demolições de estruturas consideradas irregulares e disputas judiciais.
Disputa na Justiça
Em agosto de 2024, a 2ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Pará determinou a paralisação imediata das construções. A decisão também autorizou o município a intensificar fiscalizações para impedir novas ocupações.
O caso, no entanto, envolve uma complexidade fundiária. Uma comunidade quilombola de Barcarena reivindica a posse histórica da área, alegando que o território tradicionalmente ocupado pelo grupo foi transformado em área pública ao longo dos anos.
A disputa judicial ainda está em andamento.
Pressão continua
Mesmo com decisões judiciais e ações de fiscalização, imagens recentes indicam que a área segue sob pressão. Novos pontos de supressão vegetal continuam surgindo, assim como tentativas de consolidação de moradias.
Especialistas alertam que, além da perda ambiental, a ocupação desordenada pode trazer riscos sociais, como falta de infraestrutura básica, saneamento precário e vulnerabilidade a enchentes.



