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“Hotel COP30” ainda não tem reservas para a conferência em Belém por causa dos preços da hospedagem

Proprietários buscam alugar espaço inteiro para delegações estrangeiras, mas preços afastam interessados a dois meses da conferência da ONU sobre clima

A pouco mais de dois meses da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro, os altos custos de hospedagem seguem como um dos principais desafios da organização.

Um exemplo é o chamado Hotel COP30, localizado no centro histórico da capital paraense. Reformado em 2024, o espaço possui capacidade para 40 hóspedes e antes funcionava como motel. Apesar da expectativa de aproveitar a demanda gerada pelo evento, o local ainda não recebeu reservas. Os proprietários pretendem fechar contrato com uma delegação internacional, mas os valores praticados até agora não atraíram interessados.

O gerente Alcides Moura informou que, em um primeiro momento, chegaram a ser divulgadas diárias de R$ 6.300, como forma de “teste de mercado”. Atualmente, os preços foram reduzidos para cerca de US$ 350 (R$ 1.910), mas mesmo assim não houve fechamento de contratos.

Hospedagem e custos elevados

Segundo Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a situação preocupa. Ele destacou que até agora apenas 68 dos 198 países confirmaram reservas, número abaixo do esperado para esse período. A ONU chegou a sugerir ao Brasil que subsidiasse os custos para delegações, mas a proposta não foi aceita.

Além de hotéis, moradores da região também colocaram imóveis para aluguel. O aposentado Ronaldo França, de 65 anos, disponibilizou sua casa de veraneio, a 25 quilômetros do centro de convenções, por US$ 370 (R$ 2.019) a diária. O espaço tem três quartos e piscina, e já recebeu consultas de interessados estrangeiros.

Investimentos e estrutura

A realização da COP30 mobiliza investimentos de mais de R$ 4 bilhões em Belém, incluindo a construção do Parque da Cidade, que abrigará o centro de convenções onde ocorrerão as negociações climáticas. O governo do Pará afirma que a oferta de hospedagem é suficiente, mas reconhece que ainda é preciso combater preços considerados abusivos.

O governador Helder Barbalho declarou que a conferência deve ser vista como uma oportunidade para apresentar a Amazônia ao mundo. Ele ressaltou que delegações que buscarem experiências de luxo tiveram essa possibilidade em eventos anteriores, como em Dubai, e que a edição em Belém permitirá contato direto com a realidade amazônica.

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