O Governo do Pará anunciou, nesta sexta-feira (23), alterações no modelo de operação da travessia fluvial por ferry boat na região do Camará, que atende municípios do arquipélago do Marajó. A principal mudança é a quebra do monopólio no serviço, com a previsão de entrada de novas empresas na operação.
A decisão foi definida após reunião que contou com a presença do governador Helder Barbalho, da vice-governadora Hana Ghassan, parlamentares estaduais e federais, prefeitos do Marajó, representantes de órgãos estaduais e lideranças locais. Participaram do encontro representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), Companhia de Portos e Hidrovias (CPH), Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e da Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos de Transporte (Artran).
Segundo o governo estadual, a travessia, que atende principalmente os municípios de Salvaterra, Soure, Cachoeira do Arari e Santa Cruz do Arari, passará a contar inicialmente com três empresas operando o serviço. Além da atual concessionária, outras duas empresas deverão atuar utilizando balsas pertencentes ao Estado, por meio de contratos de comodato.
Outra medida anunciada é a retomada, pelo Estado, da administração dos portos do Camará e de Icoaraci. A partir da próxima segunda-feira (26), o governo pretende abrir um chamamento público para habilitar novas empresas interessadas em operar a travessia, desde que apresentem embarcações consideradas adequadas para o serviço.
O Executivo estadual informou ainda que será publicado um decreto determinando a redução das tarifas, com retorno aos valores praticados antes do reajuste realizado em março de 2025. A redução deve atingir passagens de passageiros e o transporte de veículos, como motocicletas, caminhões e carretas.
De acordo com a Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos de Transporte (Artran), a mudança no modelo busca ampliar a concorrência e ajustar o sistema às demandas da região. Já a Seinfra afirma que a retomada do controle dos portos permitirá maior capacidade de fiscalização e planejamento da operação.
As alterações anunciadas respondem a reivindicações antigas de moradores do Marajó, que relatam problemas recorrentes no serviço, como filas, custos elevados e falhas na regularidade das travessias. As novas regras ainda dependem da formalização dos atos administrativos e da habilitação das empresas interessadas.



