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Frota de veículos de Belém se aproxima de 600 mil e pressiona mobilidade urbana

Capital é a segunda cidade com mais veículos do Norte; crescimento de 5,6% em um ano amplia congestionamentos e acende alerta para infraestrutura

Belém encerrou 2025 com 592.409 veículos em circulação e se consolidou como a segunda cidade com a maior frota da Região Norte, atrás apenas de Manaus. O número representa crescimento de 5,6% em relação a dezembro de 2024, quando a capital registrava 560.966 veículos.

Os dados são da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e apontam um avanço contínuo da motorização na capital paraense. No comparativo anual, foram mais 31.443 veículos nas ruas.

No recorte estadual, o Pará lidera o ranking da região, com 3.028.300 veículos, superando Rondônia (1.295.415) e Amazonas (1.279.847). O aumento foi de 7,8% em 12 meses, com acréscimo de 218 mil unidades.

Além de Belém, outros sete municípios paraenses aparecem entre os 20 maiores do Norte em número de veículos, como Ananindeua, Marabá, Parauapebas, Santarém e Castanhal.

O levantamento considera toda a frota em circulação, incluindo automóveis, motocicletas, ônibus, caminhões e utilitários.

Impactos no dia a dia

Com mais veículos nas ruas, motoristas relatam aumento do tempo de deslocamento e prejuízos na rotina de trabalho, especialmente em horários de pico e durante o período chuvoso.

O administrador e profissional de logística Cláudio Valente afirma que o crescimento da frota não foi acompanhado pela expansão da infraestrutura viária.

“O carro é minha ferramenta de trabalho. O que a gente vê é mais veículos e poucas vias novas. A produtividade cai porque o tempo parado no trânsito é muito grande”, diz.

Segundo ele, corredores como a Avenida Almirante Barroso e a BR-316, entre Ananindeua e Marituba, concentram congestionamentos frequentes, agravados por alagamentos em dias de chuva.

Motociclistas também relatam dificuldades. O condutor de aplicativo Cláudio Alves afirma que, apesar da maior mobilidade das motos, o trânsito intenso reduz o número de corridas.

“Quanto mais tempo parado, menos dinheiro entra. Se tivesse mais faixas exclusivas, ajudaria a fluir melhor”, avalia.

O taxista Orlando Pires observa que os horários de pico se estendem ao longo de quase todo o dia. “Há 20 anos não tinha esse fluxo. Quando chove, a gente passa horas parado. O combustível pesa no bolso”, afirma.

Alerta técnico

Para o especialista em gestão e segurança do trânsito Wender Morais, o crescimento acelerado da frota exige respostas mais rápidas do poder público.

Segundo ele, é necessário reforçar sinalização, fiscalização, monitoramento por câmeras e planejamento urbano para evitar a saturação do sistema viário. Morais também defende o incentivo a alternativas de mobilidade.

“É importante ampliar opções como transporte coletivo e mobilidade ativa, para reduzir a dependência do carro particular”, afirma. O especialista ainda orienta motoristas a adotarem práticas de direção defensiva e maior prudência no trânsito.

Posicionamento da prefeitura

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) informou que tem adotado medidas para reduzir a dependência do transporte individual e melhorar a fluidez do trânsito.

Entre as ações citadas estão a renovação da frota de ônibus, com 300 novos veículos, a gratuidade do transporte coletivo aos domingos e feriados, a implantação de 2 mil patinetes elétricos compartilhados e a ampliação da malha cicloviária, que soma 164 quilômetros.

A pasta também destacou o reforço na fiscalização e o uso de tecnologias de monitoramento para organizar a circulação viária.

Segundo a secretaria, as iniciativas buscam tornar a mobilidade mais eficiente e sustentável diante do crescimento contínuo da frota.

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