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Filme paraense Boiuna disputa nove prêmios no Festival de Cinema de Gramado

Produzido integralmente no Pará e inspirado na lenda da Cobra Grande, o curta-metragem dirigido por Adriana de Faria concorre ao Troféu Kikito em nove categorias, incluindo Melhor Atriz e Melhor Direção, consolidando a força do audiovisual nortista.

O cinema produzido no Pará ganhará destaque nacional em agosto, com a presença de Boiuna — curta-metragem inspirado em lendas amazônicas — na mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado, um dos mais prestigiados do Brasil. A produção, dirigida pela paraense Adriana de Faria, recebeu nove indicações ao Troféu Kikito, incluindo categorias de peso como Melhor Atriz (Naieme), Melhor Direção e Melhor Fotografia.

A exibição está marcada para 18 de agosto, no Palácio dos Festivais, em Gramado (RS). O filme foi selecionado entre 1.090 inscritos e está entre os 12 curtas brasileiros escolhidos para competir no evento, que acontece entre 16 e 24 de agosto.

Amazonas e lendas como protagonistas

Totalmente gravado em locações como Benevides, Benfica e Ilha do Combu, Boiuna é uma produção enraizada no imaginário e na cultura amazônica. Com uma equipe formada por mais de 60 profissionais — em sua maioria paraenses —, o filme traz uma narrativa que mistura realismo fantástico, ancestralidade e crítica social, tudo a partir da perspectiva feminina amazônida.

A trama acompanha Mara (Jhanyffer Santos), adolescente que se muda de Belém para o interior junto com a mãe (interpretada por Naieme). Em meio à floresta e às lendas locais, Mara vivencia encontros que transformam sua relação com a natureza e com outras jovens da região.

No centro da narrativa está a Boiuna, também conhecida como Cobra Grande — uma criatura mitológica de proporções colossais que habita rios e igarapés amazônicos. O nome do filme vem do tupi-guarani: mboi (cobra) + una (preta).

Da ideia à tela: uma jornada que começou em 2018

O projeto de Boiuna nasceu em 2018, pouco após Adriana de Faria se formar em Comunicação Social. Em 2019, a diretora seguiu para Cuba, onde estudou na prestigiada Escuela Internacional de Cine y Televisión, experiência que ajudou a moldar sua visão artística. Desde então, ela dirigiu curtas premiados como “Ari y Yo” (rodado em Cuba, vencedor em festivais latino-americanos) e “Cabana” (gravado no Pará e premiado como Melhor Curta Nacional no Festival do Rio 2023).

Com Boiuna, o desejo era unir o encantamento da cultura amazônica a um retrato real e humano das meninas e mulheres ribeirinhas. “Sempre senti que essas histórias precisavam ser contadas com respeito e proximidade. Convivi com uma mãe e uma filha que inspiraram partes do roteiro e percebi como a distância entre nós não era apenas geográfica, mas social e cultural”, afirmou Adriana.

Para o elenco, a diretora optou por uma combinação de atrizes profissionais e jovens sem experiência prévia. Jhanyffer Santos, que interpreta Mara, foi descoberta ainda aos 13 anos durante entrevistas conduzidas por Adriana em 2022. Já Naieme, que vive Jaque, chamou a atenção pela vulnerabilidade e sensibilidade nos testes, características que renderam a indicação ao Kikito de Melhor Atriz.

Cinema do Norte em ascensão

A participação de Boiuna no Festival de Gramado também representa um marco para o cinema produzido no Norte do Brasil, ainda sub-representado em grandes eventos nacionais. Para Adriana de Faria, essa conquista vai além do reconhecimento individual:

“Por muito tempo, ouvi que precisaria ir para o Sudeste para ter uma carreira. Permanecer em Belém foi, ao mesmo tempo, uma escolha e uma necessidade. Aprendi a fazer cinema na escassez, valorizando cada oportunidade e cada história local. Ver Boiuna chegar a Gramado é uma vitória não só para mim, mas para todos que acreditam na força do audiovisual nortista”, disse.

Além de Boiuna, outro representante da região Norte estará no festival: o curta amazonense “Os Avós”, de Ana Lígia Pimentel. Juntas, as produções ampliam a visibilidade de realizadores e histórias da Amazônia em um cenário tradicionalmente dominado por produções do eixo Sul-Sudeste.

Próximos passos

Com as nove indicações, a expectativa da equipe é trazer para casa ao menos um Kikito e, sobretudo, abrir novas portas para o audiovisual do Pará e da Amazônia. “Queremos que nossa presença se torne regra nos festivais brasileiros, e não exceção. Espero que Boiuna seja um convite para que mais olhares se voltem ao Norte”, afirmou Adriana.

O Festival de Cinema de Gramado premiará os vencedores no dia 24 de agosto, encerrando a programação de 2025 com a tradicional cerimônia no Palácio dos Festivais.

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