EXCLUSIVO: Série de vídeos do jornalista Adriano Wilkson aponta uso de “laranja” em licitações de Ananindeua
Série de vídeos do jornalista investigativo Adriano Wilkson, baseada em trechos de processo sob segredo de justiça e consultas ao Portal da Transparência, aponta uso de “laranja” em licitações da Prefeitura de Ananindeua, envolvendo empresas ligadas a empresário que teria pago parte de fazenda do prefeito Daniel Santos (PSB).1
Aviso ao leitor: esta reportagem baseia-se em uma série de vídeos publicados pelo jornalista investigativo Adriano Wilkson — profissional paraense, independente, que não reside em Belém — e em documentos e consultas públicas a que ele afirma ter tido acesso (VEJA AQUI NO PERFIL DELE). Wilkson afirma ter obtido partes de um processo que tramita em segredo de justiça e também recorreu a fontes abertas, como o Portal da Transparência da Prefeitura de Ananindeua, para checar contratos e pagamentos. Pelo teor sensível das informações e por se tratar de investigação em andamento, o material a seguir relata alegações e depoimentos apresentados a promotores; não configura, em hipótese alguma, sentença de culpa. O espaço para direito de resposta está aberto às pessoas e instituições citadas.
O que diz a denúncia divulgada por Adriano Wilkson
Em vídeo publicado nesta sexta-feira, 08, o jornalista Adriano Wilkson apresenta o depoimento de um estudante que, segundo ele, foi usado como “laranja” — ou representante fictício — de empresas que venceram licitações na Prefeitura de Ananindeua. O jovem teria prestado depoimento ao Ministério Público do Pará (MPPA) e entregue aos promotores mensagens e documentos que, conforme Wilkson, demonstrariam o esquema.
De acordo com o relato do estudante, reproduzido por Wilkson, o rapaz foi procurado em 2021 por seu padrasto, identificado pelos arquivos como Manoel Palheta Fernandes (conhecido como “Nélio”), então integrante de comissão de licitação da prefeitura. Manoel pediu ao enteado que assinasse procurações para representar duas empresas — Edifikka e DSL — que participariam de processos licitatórios. O jovem disse aos promotores que tinha cerca de 20 anos na época, que não trabalhou nas empresas e que assinou os papéis por confiar no padrasto; em troca, teria recebido R$ 200, valor que classificou como irrisório.
Segundo o material mostrado no vídeo, as empresas citadas teriam posteriormente sido contratadas pela Prefeitura de Ananindeua. Em uma consulta ao Portal da Transparência — mostrada por Wilkson — a empresa Edifikka aparece como favorecida por contratos e pagamentos naquele mesmo mês de novembro de 2023, num montante que, segundo o jornalista, alcançaria cerca de R$ 7,5 milhões. Ainda segundo os vídeos, parte do dinheiro teria sido usada em benefício do prefeito Daniel Santos (PSB): consta nos arquivos exibidos, de acordo com Wilkson, que R$ 60 mil foram repassados — valor que o jornalista associa a uma entrada no negócio imobiliário que culminou na compra de uma fazenda avaliada em R$ 16 milhões pelo prefeito.
O empresário Danilo Linhares aparece nos vídeos como o nome por trás das empresas Edifikka e DSL. Wilkson afirma que Danilo teria pago parte do negócio da fazenda adquirida por Daniel Santos e que as contratações pela prefeitura teriam favorecido empresas a ele ligadas.
A tese do Ministério Público (conforme apresentada no material)
Em sua narrativa, o jornalista aponta que, segundo documentos do processo e o depoimento do jovem, a tese do Ministério Público seria a de que o prefeito teria direcionado licitações para beneficiar empresas ligadas a Danilo Linhares, com intermediação do servidor da Prefeitura que integrava a comissão de licitação. Em outras palavras: o MP estaria a investigar se houve fraude em procedimentos licitatórios com uso de representantes de fachada.
É importante reiterar: trata-se de tese investigatória apresentada no âmbito de procedimento que corre em segredo de justiça. A reportagem não teve acesso direto ao inteiro teor do processo — as peças mostradas foram, segundo o jornalista, disponibilizadas a ele por meio de fontes que vazaram conteúdos do processo — e, por esse motivo, não é possível aqui reconstruir cronologia probatória completa ou confirmar, de maneira independente, todas as alegações.
O que o jornalista mostrou e como checou (segundo Wilkson)
No vídeo, Adriano Wilkson exibe:
- trecho do depoimento do estudante à Promotoria (conforme ele diz);
- consultas ao Portal da Transparência da Prefeitura de Ananindeua que apontam pagamentos/contratos atribuídos às empresas citadas;.
Wilkson também criticou publicamente a Rede Brasil Amazônia (RBA) — a qual, segundo ele, reaproveitou trechos de seus vídeos em programas sem checar o conteúdo e sem dar os créditos ao trabalho investigativo. Wilkson pediu expressamente que, se a RBA utilizar seu material, ao menos credite o autor.
Quem são os citados (e a postura da reportagem)
- Daniel Santos (PSB) — prefeito de Ananindeua, citado na denúncia.
- Danilo Linhares — empresário apontado como proprietário das empresas Edifikka e DSL e suposto financiador parcial da aquisição da fazenda do prefeito.
- Manoel Palheta Fernandes (Nélio) — servidor que integrava comissão de licitação, apontado como interlocutor direto do estudante.
- Estudante — testemunha-chave, descrita nos vídeos como enteado do servidor da comissão de licitação; seu depoimento foi, segundo Wilkson, entregue ao MP.
Por conta do caráter sigiloso do processo e da gravidade das imputações, a reportagem reserva espaço para a manifestação de todas as pessoas e entidades citadas. O princípio constitucional da ampla defesa e da presunção de inocência é aqui observado: as informações reproduzidas são apresentadas como alegações constantes de investigação e de depoimentos que o jornalista afirmou ter em mãos.
VEJA VÍDEO:



