Uma estudante quilombola da Universidade Federal do Pará (UFPA) afirma ter sido humilhada ao ser retirada de sala de aula por estar com o filho de sete meses no colo. O caso ocorreu na última segunda-feira (9), em Belém, e gerou mobilização estudantil dentro da universidade.
Lorrany da Paixão Maia, aluna do curso de Desenvolvimento Rural, relatou que chegou à aula por volta das 14h, quando o bebê estava dormindo em seu colo. Segundo ela, a professora a abordou ainda no início da aula, quando poucos estudantes estavam presentes.
“Meu filho não estava chorando. Ele estava dormindo no meu colo. Quem saiu chorando fui eu”, afirmou.
De acordo com a estudante, a docente perguntou se ela já havia passado por aquela “situação” antes e disse que seria necessário “resolver isso”. Lorrany conta que sugeriu que a conversa fosse restrita às duas, mas a professora teria proposto aguardar a chegada dos demais alunos para decidir o que seria feito.
Ainda segundo o relato, a professora declarou que “não era da conduta dela dar aula assim” e determinou que a estudante deixasse a sala. Lorrany afirma que começou a chorar e ouviu da docente que precisava “deixar de vitimismo” e “aceitar a realidade”. A aula seguiu normalmente após sua saída.
A estudante diz que ficou emocionalmente abalada com o episódio. “Eu estou com medo. Eu choro sempre que lembro que fui humilhada. Estou há quase cinco anos no curso, terminando. Sempre tive acolhimento dos colegas”, declarou.
Providências e mobilização
Após o ocorrido, Lorrany procurou a secretaria do curso e comunicou o caso à direção da faculdade. No dia seguinte, buscou apoio de coletivos estudantis e registrou manifestação na Ouvidoria da UFPA. Ela também informou que levou o caso ao Ministério Público.
Estudantes organizaram um protesto pacífico na quarta-feira (11), com caminhada até o Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf/UFPA) e à Reitoria, pedindo apuração dos fatos e responsabilização. Alguns alunos deixaram de comparecer às aulas da professora nos dias seguintes como forma de manifestação.
O que diz a UFPA
Em nota, a Universidade Federal do Pará informou que a direção do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares e da Faculdade de Desenvolvimento Rural acolheu a manifestação estudantil realizada no dia 11 de fevereiro.
A universidade afirmou ainda que os procedimentos institucionais cabíveis estão sendo providenciados desde o dia 9 e reforçou que mantém um ambiente de diálogo aberto com a comunidade acadêmica e de respeito aos povos tradicionais.
A reportagem tenta contato com a professora citada para que ela se manifeste sobre o caso.



