Empresa que fornece vale-alimentação a estudantes no Pará está envolvida em fraude de respiradores em Santa Catarina
O site Intercept Brasil publicou uma reportagem na segunda-feira, 18, afirmando que o empresário que intermediou a venda de 200 respiradores ao Governo de Santa Catarina por R$ 33 milhões, em um negócio fraudulento, tem contratos com o Governo do Pará e prefeituras catarinenses e de Goiás para fornecer vale-alimentação a estudantes das redes públicas durante a pandemia de Covid-19.
O empresário é Fabio Guasti, a quem autoridades de Santa Catarina chamam de “um dos principais articuladores do esquema criminoso” do negócio dos respiradores.
Pará – Como no caso dos respiradores, os contratos de vale-alimentação foram fechados em caráter emergencial, isto é, sem licitação, por causa da crise do novo coronavírus. Apenas no estado do Pará, o negócio deve render R$ 21,5 milhões em três meses.

Os vale-alimentação estão sendo repassados às famílias dos alunos da rede pública do Pará, depois que foi denunciado o contrato de cerca de R$ 74 milhões com a empresa Kaizen, cujo capital era de apenas R$ 79 mil. O governador Helder Barbalho, juntamente com a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) voltaram atrás e cancelaram o contrato para o fornecimento de cesta de alimentos.
Depois do cancelamento desse contrato, a Seduc anunciou que seria feita uma tomada de preço para empresas que trabalham com cartões de vale-alimentação. A vencedora do certame foi a Meu Vale.


Vale-alimentação – O grupo de Fábio Guasti tem base em Guarulhos (São Paulo), inclui empresários e políticos do Rio de Janeiro e São Paulo e contou com participação direta de servidores do Governo de Santa Catarina. A atuação do grupo não está restrita ao Sul do país. A empresa Meu Vale, que pertence a Guasti, acertou em abril um contrato para fornecer cartões de alimentação para estudantes da rede pública do Pará por R$ 21,5 milhões. O negócio foi feito com dispensa de licitação e terá três meses de vigência.
O site Intercept Brasil pediu ao gabinete do governador Helder Barbalho (MDB) uma cópia do contrato com a Meu Vale e os nomes das empresas que também disputaram o negócio. O pedido não foi atendido. Em vez disso, recebeu uma nota em que a Seduc informa que o edital aberto em 3 de abril teve a participação de oito empresas.
Sobre a participação de Guasti no esquema investigado em Santa Catarina, o governo Barbalho disse “que a empresa [Meu Vale] não é considerada inidônea e os preços são adequados à realidade de mercado”. “Portanto, não pode ser impedida de disputar licitações”, justificou.
Fraudes – As fraudes no contrato dos 200 respiradores pulmonares em Santa Catarina foram reveladas pelo Intercept Brasil em 28 de abril. A vendedora é uma empresa chamada Veigamed, com sede em Nilópolis, na Baixada Fluminense (RJ), que não tem estrutura para atender um contrato de R$ 33 milhões. A empresa Meu Vale também fez o mesmo negócio de fornecer vale-alimentação a estudantes com a Prefeitura de Florianópolis (SC).
Na segunda-feira, dia 11, após vir à tona que a Meu Vale pertence aos suspeitos do negócio fraudulento dos respiradores, a Prefeitura comandada por Gean Loureiro (DEM), recuou e mandou avisar que rompeu o contrato com a Meu Vale por causa do envolvimento da empresa em “supostas irregularidades”.
Fonte: Intercept Brasil



