“É criminoso e tem que estar na cadeia”, diz vereador de Belém sobre MC Poze
O incidente no show do funkeiro MC Poze virou debate na sessão da Câmara Municipal de Belém nesta segunda-feira, 08. Tudo começou após uma fala do vereador Allan Pombo (PDT) que viu indícios de racismo no show do funkeiro.
“Queria entender a fundo o que aconteceu e reunir com a Comissão de Cultura para que possamos acompanhar atos como esse no município, para saber se outros shows parecidos ou até shows em boates de Belém, fechadas, onde o ingresso custa [um valor] altíssimo se essa mesma postura tem sido tomada. Se a polícia agiu corretamente, terá o apoio desta Câmara. Se a gente entender que há algum indício de politização, censura acontecendo no nosso município, a gente também precisa compreender e acompanhar. Se uma lei vale pra um vale pra todos, com aplicabilidade para todos e não só um segmento da cultura ou da música”, afirmou o pedetista.
No entanto, a discussão que era sobre um projeto de lei que proibi a utilização de critérios discriminatórios em editais de culturas promovidos pela prefeitura de Belém, acabou tendo o show como palco de debates. Em repostas a Allan Pombo, o vereador Emerson Sampaio disse:
“O que aconteceu com este rapaz que eu nunca tinha ouvisto (sic) na minha vida, MC não sei das quantas aí, a matéria que eu li o cara tá lá chamando polícia de verme, que tem que matar esses vermes. Pra mim isso não é um artista. É um criminoso e tem que estar na cadeia sim. Não podemos aceitar que o cara que eu não sei nem de onde saiu agredir todo mundo, nossos policiais, nossa juventude sem ter penalidade. Nós temos lei nesse estado que precisa se cumprir”, afirmou.
O Presidente da Comissão de Segurança Pública, Pablo Farah (PL), concordou. Segundo ele, não importa se a ocorrência é notada em uma boate da elite ou da periferia: se um crime é observado, a Polícia Militar precisa intervir e reprimir, afirmando que não se pode estimula jovens e crianças a cometerem atos ilícitos e nem a usarem drogas.
Em nota, a PM disse que desta vez recebeu denúncia de superlotação e utilização de materiais pirotécnicos. Ao chegarem, os agentes confirmaram que a casa, com capacidade para 3 mil pessoas, estava com lotação de 7 mil. Os militares subiram no palco para vistoriar a presença de adolescentes e, enquanto retiravam os músicos, foram alvejados com diversos objetos. Um policial respondeu com tiros de bala de borracha contra a multidão.
“Houve intervenção da PM com a utilização de instrumentos de menor potencial ofensivo para dispersar os presentes”, diz nota. A Promotoria de Justiça Militar informou nesta segunda-feira (8) que vai solicitar prévia apuração à Corregedoria da PM para elucidar os fatos. Poze é investigado pela polícia por suposta ligação ao tráfico e chegou a ser considerado foragido pela Justiça em 2020, mas o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ) revogou o pedido de prisão preventiva contra ele.
Com informações O Liberal



