
O Ministério Público do Estado do Pará conduz uma investigação envolvendo o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, mais conhecido como Dr. Daniel (PSD). O procedimento analisa suspeitas de uso de recursos ligados a contratos públicos para aquisição de bens particulares.
O caso ganhou repercussão após reportagem exibida pelo programa Fantástico, que citou a compra de uma mansão no Ceará com depósitos realizados por empresas que prestam serviços à prefeitura.
Paralelamente, outra investigação jornalística conduzida pelo repórter Adriano Wilkson reuniu documentos, áudios e registros de conversas sobre a negociação de uma fazenda no município de Tomé-Açu. Segundo a apuração, o imóvel rural teria sido adquirido por cerca de R$ 16 milhões.
Diferença entre os dois casos
Embora a mansão no Ceará e a fazenda investigada sejam negócios distintos, as apurações apontam que as duas negociações teriam utilizado estruturas semelhantes de pagamento envolvendo empresas com contratos públicos.
A investigação jornalística publicada por Adriano Wilkson detalha a compra da fazenda de gado localizada em Tomé-Açu, com área superior a 3 mil hectares. Em mensagens atribuídas ao prefeito, registradas em 2019, o próprio gestor menciona o valor da negociação.
O montante chama atenção porque, um ano antes, durante o período eleitoral, Daniel Santos havia declarado patrimônio de R$ 352 mil à Justiça Eleitoral.
Áudios e mensagens sobre a negociação
Material reunido na investigação inclui áudios e prints de conversas que mostram tratativas sobre valores e formas de pagamento da propriedade.
Em um dos registros analisados, o prefeito discute prazos e condições para quitar parte do valor da fazenda:
“Eu não posso fazer o compromisso dos 10 em um ano porque aí vai pesar para mim, aí eu posso falhar com vocês e eu acho que não, a gente tem que fazer da mesma forma que vocês sabem o que quanto vale as coisas de vocês, né? Eu também sei o que eu consigo me comprometer de pagar”.
Segundo os documentos analisados, o contrato da negociação foi elaborado por escritório ligado ao advogado Hugo Atayde, que também exerce o cargo de vice-prefeito do município.
Empresa contratada pela prefeitura aparece nos pagamentos
A investigação também aponta que parcelas relacionadas à negociação teriam sido pagas por meio da Edifikka Construtora LTDA.
De acordo com comprovantes reunidos no material analisado por investigadores e pela reportagem, depósitos e cartas de crédito emitidos pela empresa foram enviados para contas indicadas pela vendedora da fazenda.
Dados disponíveis no portal de transparência do município indicam que, em 2023, a empresa recebeu cerca de R$ 24 milhões em contratos com a prefeitura de Ananindeua.
Denúncia apresentada ao Ministério Público
A proprietária da fazenda procurou o Ministério Público do Estado do Pará em 2025 e apresentou informações sobre a negociação, incluindo registros de conversas, contratos e comprovantes de depósitos.
A partir desse material, o órgão abriu procedimento para analisar a origem dos recursos utilizados na negociação e a relação entre empresas contratadas pela prefeitura e pagamentos ligados a bens pessoais do prefeito.
Defesa pediu anulação da investigação no caso da mansão no Ceará
A defesa do prefeito apresentou pedido ao STF para anular a investigação, alegando irregularidades na condução do processo. O ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão temporária do andamento do caso até análise do pedido.
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