Em 2 de agosto de 1920, nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, o Brasil conquistava sua primeira medalha olímpica com Afrânio da Costa, prata no tiro esportivo. No dia seguinte, Guilherme Paraense subia ao lugar mais alto do pódio na prova de pistola rápida, garantindo o primeiro ouro da história do país.
A epopeia brasileira naquela edição foi marcada por adversidades. A delegação viajou à Bélgica em condições precárias, precisou abandonar o navio em Lisboa e seguir de trem para competir. Armas e munições foram roubadas, e a primeira medalha veio com equipamento emprestado. Ainda assim, ali nascia uma trajetória olímpica que completa 105 anos.
Hoje, o cenário é outro. Com imagens em alta definição e estrutura profissionalizada, o Brasil presencia o surgimento de um novo capítulo no esporte de alto rendimento. Sob os holofotes está Lucas Pinheiro Braathen, que escreve na neve de Bormio uma história inédita para um país tropical.
Criado esportivamente na Noruega, terra de seu pai e potência nos esportes de inverno, Braathen tem forte apoio da iniciativa privada e simboliza a inserção da América Latina nas modalidades da neve — um território historicamente distante da realidade brasileira.
Nova geração de ídolos
O momento promissor vai além das pistas geladas. O Brasil bateu recordes de medalhas nos Jogos do Rio-2016 e de Tóquio-2020, consolidando um ciclo de crescimento nas modalidades individuais.
Nomes como Rebeca Andrade (ginástica artística), Hugo Calderano (tênis de mesa) e Rayssa Leal (skate) tornaram-se referências para uma nova geração. No surfe, Gabriel Medina, Ítalo Ferreira, Filipe Toledo e Yago Dora protagonizam uma era de domínio internacional.
Enquanto isso, o futebol pode enfrentar o maior jejum de títulos mundiais caso o hexa não venha nos Estados Unidos, chegando a 28 anos sem conquistar a Copa. No vôlei, a seleção tenta retomar o protagonismo após resultados abaixo das expectativas recentes.
Entre as dificuldades de 1920 e os desafios de 2026, o que permanece é o mesmo motor: feitos inéditos que alimentam sonhos coletivos. Se na Antuérpia o Brasil surpreendeu o mundo com armas emprestadas, hoje escreve novas páginas com esquis e pranchas, ampliando as fronteiras do possível no esporte olímpico.



