Com comida estragando e usando água da chuva, moradores do Amapá relatam desespero: ‘Estamos abandonados’

Moradores de Macapá, capital do Amapá, relataram à BBC News Brasil uma situação caótica no quarto dia sem energia elétrica na cidade: comida estragando na geladeira, falta de água nas torneiras e filas quilométricas para sacar dinheiro vivo e abastecer o carro.
“Estamos abandonados e desesperados. Não tem como esperar 10 ou 15 dias para essa situação se resolver”, diz Luccas Cavalcante, de 20 anos, estudante de Direito.
A queda de energia, provocada por um incêndio em uma subestação na capital, ocorreu na noite de terça-feira (03/11) e atingiu 13 das 16 cidades do Estado.
Em pronunciamento na sexta-feira (06/11), o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o restabelecimento dos 100% de energia elétrica no Amapá é “complexo” e deve demorar pelo menos dez dias.
Fotos enviadas à reportagem e publicadas em redes sociais mostram enormes filas para a compra de água, comida e gasolina em bairros da capital.
Além disso, como máquinas de cartão de crédito e débito estão desligadas no comércio, milhares de pessoas esperam horas em frente aos poucos estabelecimentos com caixas eletrônicos que funcionam por meio de geradores — um deles está no aeroporto internacional de Macapá, lotado de pessoas em busca de dinheiro.
Calor e falta d’água
No bairro Jardim Marco Zero, zona sul da capital, a energia de algumas ruas foi retomada, mas a área onde vive o universitário Luccas Cavalcante segue às escuras. Ele tem ido a casas de amigos para conseguir carregar os celulares de sua família, além de buscar água e alimentos.
“Em casa nós perdemos toda a comida que havia na geladeira. Estamos usando água da chuva ou pegando de alguns moradores que têm poço artesiano. Também há uma única torneira funcionando, da empresa de saneamento, mas a água vem barrenta e não dá para beber”, explica.
para beber”, explica.
O estudante conta que, na noite de ontem, ficou duas horas na fila de um dos poucos postos de gasolina que estão abastecendo veículos. “Mas, em outros postos, mais centralizados, há pessoas esperando até oito horas para conseguir abastecer”, diz.
Já no bairro Renascer, o estudante Adelton Almeida Filho, de 20 anos, conta que sua família está buscando água potável em uma loja próxima, onde há uma torneira em funcionamento.
É com ela que a família toma banho, cozinha e mata a sede. “Temos poço em casa, mas, como não tem energia, não conseguimos bombear a água”, diz.
Segundo ele, moradores do bairro que têm energia elétrica fornecida por geradores, estão disponibilizando água a vizinhos. “Os supermercados aumentaram muito o preço da água mineral, para lucrar. Um galão de cinco litros está custando R$ 12, e antes custava R$ 5 ou R$ 6”, reclama.

O estudante conta que vários moradores de Renascer estão dormindo nos carros à noite, em virtude do calor. “Está muito quente na cidade e muita gente não está conseguindo dormir dentro de casa, sem ar-condicionado”, explica.
O bancário Edson Azevedo dos Anjos, 57, enfrenta o mesmo problema. “Nossa comida comida já estragou, jogamos fora. Uma parte que ainda estava boa, dividimos com os vizinhos para não estragar também. Graças a Deus aqui temos um vizinho com poço artesiano, e ele consegue passar de vez em quando alguma água para nós”, explica.
O estudante conta que vários moradores de Renascer estão dormindo nos carros à noite, em virtude do calor. “Está muito quente na cidade e muita gente não está conseguindo dormir dentro de casa, sem ar-condicionado”, explica.
O bancário Edson Azevedo dos Anjos, 57, enfrenta o mesmo problema. “Nossa comida comida já estragou, jogamos fora. Uma parte que ainda estava boa, dividimos com os vizinhos para não estragar também. Graças a Deus aqui temos um vizinho com poço artesiano, e ele consegue passar de vez em quando alguma água para nós”, explica.
Fonte BBC



