Casal paraense é preso pela PF por vender vídeos de tortura e morte de animais a estrangeiros por até R$ 269
Operação identificou rede internacional que produzia e comercializava gravações extremas de violência contra filhotes e animais de pequeno porte. PF estima ao menos 32 mortes.
A Polícia Federal prendeu neste sábado (22) um casal no Pará acusado de integrar uma rede internacional especializada na produção e venda de vídeos de extrema violência contra animais. Segundo a investigação, os suspeitos gravavam cenas de maus-tratos que resultavam na morte dos bichos e comercializavam o material para compradores estrangeiros por valores entre 30 e 50 euros — o equivalente a R$ 161 a R$ 269.
A denúncia chegou ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal após uma ONG da Bulgária identificar a circulação dos vídeos e alertar as autoridades brasileiras. No país europeu, outros integrantes da rede já haviam sido descobertos e também passaram a ser investigados.
De acordo com Ana Paula de Vasconcelos, diretora jurídica do Fórum Animal, o conteúdo apreendido é de extrema brutalidade.
“O material era muito chocante. Todos os animais foram mortos por esmagamento. Aparentemente é um fetiche”, afirmou.
O GLOBO teve acesso a imagens de um dos vídeos, que mostram um filhote de gato sendo esmagado e enforcado por pés femininos. Outros animais — incluindo porquinhos-da-índia, pintinhos, coelhos e galinhas — também apareceram mortos nas gravações. Em nota, a Polícia Federal informou que a rede comercializava vídeos envolvendo “maus-tratos, tortura e morte de animais, incluindo práticas com conotação sexual”.
Durante a operação, agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e realizaram uma prisão em flagrante. A PF calcula que ao menos 32 animais foram mortos.
“As diligências prosseguem com a análise do material apreendido, visando identificar todos os envolvidos na rede e responsabilizar seus participantes por condutas que configuram grave violação à dignidade animal e aos princípios de ética e humanidade”, disse a corporação.
Ana Paula reforçou que a legislação atual precisa avançar para punir não apenas quem produz, mas também quem consome esse tipo de conteúdo.
“Quem compra esse material nunca é responsabilizado. É algo extremamente absurdo”, afirmou.



