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Cargill diz ter ficado “sozinha” após invasões indígenas em terminal no Pará

Advogada relata frustração com a falta de apoio institucional enquanto ocupação ainda persiste em Santarém

Em reunião da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura em Brasília, a advogada da Cargill no Brasil, Sandra Silva, afirmou que a empresa ficou “desigual e sozinha” diante da ocupação indígena de seu terminal no Porto de Santarém, no oeste do Pará. Segundo ela, a empresa vive um sentimento de frustração pela falta de apoio institucional para retomar o controle do local e restabelecer as operações interrompidas.

A ocupação do terminal tem sido parte de protestos de indígenas contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). Embora a Cargill não tenha defendido a revogação do decreto — afirmando que apoia estudos técnicos sobre hidrovias que não prejudiquem comunidades — a advogada declarou que a empresa esperava que as decisões judiciais sobre a desocupação de seus ativos fossem cumpridas, o que ainda não ocorreu.

A advogada ressaltou que, apesar de alguns parlamentares terem defendido a questão no âmbito da Frenlogi, outras instâncias do poder público não ofereceram suporte efetivo. Neste contexto, a energia na unidade de Santarém continua desativada, e as operações estão totalmente interrompidas desde a invasão.

Contexto do protesto e impactos

A invasão do terminal ocorreu após mais de um mês de bloqueios ao acesso ao complexo portuário, que haviam prejudicado a logística de escoamento de grãos pela região. O decreto contestado tinha sido criticado por comunidades indígenas por supostamente abrir espaço para exploração de hidrovias sem consulta prévia, gerando impactos ambientais e sociais.

A Justiça Federal chegou a negar, em plantão, pedido de retirada forçada dos manifestantes, citando riscos à integridade física de mulheres, crianças e idosos presentes no local. O Ministério Público Federal considerou a notificação de desocupação feita aos indígenas como irregular por ter sido realizada à distância via megafones.

Situação atual

Enquanto o impasse persiste e as operações seguem interrompidas, setores produtivos e entidades do agronegócio criticam a ocupação e pedem a retomada da normalidade nas atividades portuárias, destacando que o terminal de Santarém movimentou milhões de toneladas de soja e milho em 2025 e é um ativo estratégico para o escoamento de grãos no Arco Norte.

As negociações e articulações entre governo, comunidades indígenas e setores produtivos continuam em curso para definir os próximos passos e possíveis saídas para o conflito.

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