O Brasil avançou 10 posições no ranking de Liberdade Econômica, medido pela Heritage Foundation. O país saltou da posição 143ª para a 133ª posição. Contudo, a interpretação do avanço requer cuidado: mesmo com o avanço, o país segue próximo dos “majoritariamente não-livres”, abaixo da Arábia Saudita (118ª posição), da Nicarágua (122ª posição) e da Ucrânia (130ª posição) em uma lista de 177 nações.
Trata-se de um reflexo de medidas adotadas nos últimos anos que, ainda que positivas, são insuficientes para alavancar o desenvolvimento do país. O próprio índice considera também que a melhora do país pode estar atrelada à piora na nota de outras nações em meio à pandemia. Na posição em que está, o Brasil continua mais perto da base do ranking – composta por Cuba, Venezuela e Coréia do Norte – do que do topo, onde se encontram Cingapura, Suíça e Irlanda.
“Olhando para o resultado como o copo ‘meio cheio’, vemos os resultados da lei de liberdade econômica e das reformas que começaram no governo Michel Temer e se estenderam até o primeiro ano do governo Bolsonaro. Isso evidentemente dá um viés positivo para o Brasil”, avalia o economista Gabriel Torres, presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).
“Só que quando a gente olha para a tendência geral, parece que estamos navegando no mesmo lugar, o que dá a impressão de que as mudançasforam insuficientes. Temos, de um lado, os problemas causados pela pandemia – que geraram excessos, abusos e medidas errôneas em todas as esferas do Poder – e, do outro, as mesmas animosidades fomentadas pelo governo federal que se sobrepõem à agenda reformista”, explica.
“Há um esforço que começou no governo Temer e que aprovou reformas importantes como a trabalhista e a da previdência, mudanças na política de juros do BNDES, teto de gastos. Por outro lado, o ímpeto reformista perdeu força e aconteceram retrocessos, o mais perigoso foi no teto”, avalia Roberto Ellery, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília.
“O quadro ficou mais grave com a estratégia do governo de se aproximar do Centrão, o que comprometeu transformações importantes – o melhor exemplo foi a privatização da Eletrobrás – e trouxe retrocessos como o orçamento secreto. O abandono da agenda de reformas para enfrentar a corrupção é outro exemplo de recuo na agenda reformista”, ressaltou.



