Belém começou a desenvolver um projeto-piloto que pretende contabilizar a chamada economia do cuidado, área que reúne uma série de atividades historicamente associadas à população feminina, que muitas vezes nem é remunerada pela realização das tarefas.
Essa lista dos chamados ‘trabalhos invisíveis’ vai desde afazeres domésticos até os cuidados com crianças, idosos e pessoas com deficiência.
O projeto será feito pela Open Society Foundations, fundada pelo megainvestidor George Soros, a ONU Mulheres Brasil e a Prefeitura de Belém.
O programa tem duração prevista até agosto de 2024, com financiamento de US$ 700 mil. A fonte dos recursos é a Open Society.
De acordo com Pedro Abramovay, diretor para a América Latina e Caribe da Open Society Foundations, a iniciativa é pioneira no Brasil. “As pessoas não vivem sem cuidado. O que acontece é que, historicamente, esse papel tem sido colocado para as mulheres, e muitas vezes sem remuneração”, relata.
Abramovay afirma que é preciso “incluir” esse tipo de ação no PIB (Produto Interno Bruto). Segundo ele, as políticas que devem ser desenhadas em Belém dependem da análise das necessidades locais.
Segundo Abramovay, além do interesse da Prefeitura de Belém, o fato de o município estar na região da Amazônia, foco de olhares internacionais, também pesou para a escolha pela capital paraense.
“Qualquer projeto de preservação da Amazônia tem de ter as pessoas no centro. É preciso pensar no desenvolvimento das cidades da região”, afirma.



