Desde janeiro de 2024, a Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, está passando por um processo minucioso de restauração e conservação, o primeiro em mais de 100 anos de história. As obras, que estão sendo conduzidas em cinco etapas, têm como objetivo preservar e revitalizar este importante patrimônio histórico e religioso da capital paraense.
A primeira etapa das obras concentrou-se no restauro das capelas laterais do lado esquerdo, que incluem as capelas das Santas Mulheres, Sagrado Coração de Jesus, São José, Santa Terezinha e Nossa Senhora das Dores. Além disso, a área que dá acesso à cripta e ao confessionário também passou por revitalização, revelando detalhes arquitetônicos que estavam ocultos pelo tempo.
No entanto, foi durante essas intervenções que um dos mistérios mais antigos de Belém ganhou novos contornos. Pela primeira vez, o subsolo da Basílica, até então inacessível, foi explorado. Este espaço, que há muito alimenta o imaginário popular, guarda segredos que fazem parte da história e das lendas da cidade, como os restos dos antigos coretos da praça em frente à Basílica e a famosa lenda da Cobra Grande.

A Lenda da Cobra Grande
A Amazônia é conhecida por seu misticismo e histórias encantadas, muitas das quais estão ligadas aos elementos naturais da região. Uma das lendas mais populares em Belém é a da Cobra Grande, ou “boiúna”, uma serpente gigantesca que, segundo o imaginário popular, vive adormecida sob a cidade. Diz-se que a cabeça da cobra está localizada na Catedral da Sé, enquanto seu corpo se estende até a Basílica de Nazaré.

A lenda conta que, se a Cobra Grande acordar, Belém seria tragada pelas águas do rio. Existem diferentes versões sobre o que poderia despertá-la: alguns acreditam que seria a ausência do Círio de Nazaré, enquanto outros afirmam que pequenos tremores de terra sentidos na cidade seriam causados por movimentos da serpente gigante.

Restauração e tradição
O padre Francisco Cavalcante, pároco da Basílica de Nazaré, demonstra seu entusiasmo com o progresso das obras: “Para nós, religiosos barnabitas, esse momento de entrega da primeira parte do restauro da Basílica é um momento de alegria. É um marco que expressa vitória; a colheita de tantos irmãos religiosos e leigos que trabalham para que o restauro possa acontecer”.
Atualmente, as obras estão na terceira fase, com previsão de conclusão em setembro para a quarta etapa, que inclui os trabalhos nas cúpulas laterais do lado direito. O engenheiro Marcos Oliveira, um dos responsáveis pelo projeto, destacou que a equipe está focada na restauração dos mosaicos e vitrais, além de outras partes específicas da estrutura.



