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Belém mira papel estratégico na margem equatorial e pode viver nova “Belle Époque” amazônica

Com aval do Ibama para pesquisas da Petrobras na foz do Amazonas, capital paraense surge como potencial sede de futuras operações da indústria petrolífera — movimento que pode redefinir a economia da região Norte.

O recente aval do Ibama para que a Petrobras realize pesquisas de potencial petrolífero na foz do Rio Amazonas, a mais de 200 quilômetros da costa do Amapá, reacendeu expectativas econômicas e disputas regionais na Amazônia. A autorização marca o início de um ciclo que pode render bilhões de reais em royalties nas próximas décadas para o Amapá — um dos estados mais pobres do país —, mas também desperta o interesse da vizinha Belém, no Pará, que busca se posicionar como polo logístico e industrial da chamada margem equatorial brasileira.

Nos bastidores políticos e empresariais, há articulações para que as sedes de companhias ligadas à futura cadeia de exploração e refino do petróleo se instalem em Belém. A capital paraense oferece infraestrutura mais consolidada, maior capacidade portuária, rede de serviços e conexões aéreas e marítimas estratégicas. A proposta é que Belém concentre a base administrativa e operacional das empresas, mesmo que a extração ocorra em águas próximas ao Amapá.

A movimentação é vista como um jogo de contrapesos: enquanto o Amapá deve ser o principal beneficiário dos royalties, o Pará tenta atrair o protagonismo econômico das operações. Para analistas, caso a capital paraense consiga se firmar como hub logístico e industrial da margem equatorial, o estado poderá viver uma nova “Belle Époque” — um período de prosperidade semelhante ao auge econômico da borracha, no início do século XX, quando Belém era uma das cidades mais ricas e sofisticadas do país.

Entretanto, o movimento desperta preocupação entre lideranças amapaenses. Há o receio de que a concentração de empresas e investimentos em Belém acentue o esvaziamento econômico de Macapá, que ainda enfrenta carências estruturais em modais de transporte, logística e rede hoteleira.

O início das pesquisas da Petrobras na região marca, assim, não apenas uma nova fronteira energética para o país, mas também uma disputa simbólica e econômica entre as duas capitais amazônicas por protagonismo no futuro da indústria de petróleo e gás na margem equatorial.

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