A COP 30 colocou Belém, o Pará e a Amazônia no centro das atenções mundiais. Desde o anúncio de que a capital sediaria o evento, a cidade passou a ser alvo de ataques xenofóbicos e críticas injustas, vindas principalmente de setores da imprensa sudestina e de políticos de direita ligados ao bolsonarismo.
Diante desse cenário, causa estranheza ver que parte da direita paraense segue o mesmo caminho, preferindo se dissociar do estado em vez de defendê-lo. Enquanto o governo do Pará e setores da esquerda abraçam o orgulho de ser paraense, valorizando a cultura, a identidade e o sentimento regional, a direita parece envergonhada das próprias raízes — e isso tem um custo político alto.
Fazer oposição é legítimo e necessário. É papel da direita fiscalizar obras, cobrar transparência e questionar gastos. Mas é um erro grave confundir oposição ao governo com oposição à cidade. Criticar por criticar, sem estratégia e sem consciência do que está em jogo, apenas reforça o discurso dos que querem ver Belém e o Pará desacreditados.
A população paraense, por sua vez, entendeu o momento histórico. Abraçou a COP 30, se orgulha da visibilidade internacional e defende a cidade diante dos ataques. Há um sentimento coletivo de pertencimento e de valorização das tradições locais — exatamente o tipo de sentimento que a direita paraense ignora ou, pior, combate.
Quando lideranças de direita compartilham inverdades, debocham da cultura do estado ou tratam com desdém as conquistas recentes, acabam dando munição a quem tenta diminuir o Pará. A mensagem que chega ao eleitor é clara: enquanto a esquerda exalta o Pará, a direita o despreza.
Não é preciso gostar do Lula, do Helder ou da COP 30 para defender o Pará. Mas é preciso ter senso de pertencimento e entender que, acima da disputa política, existe um povo e uma identidade que precisam ser valorizados. Se a direita paraense continuar se distanciando disso, corre o risco de se tornar irrelevante — esquecida por aqueles que mais deveria representar: os próprios paraenses.



