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Afinal, quem Lula quer para o Senado no Pará?

Apoio público de Lula a Celso Sabino contrasta com orientação da direção estadual do PT por Chicão e expõe divisão entre aliados no Pará

Afinal, quem Lula quer para o Senado no Pará? A pergunta ganhou força na reta final da campanha depois que o presidente declarou apoio a Celso Sabino (PDT), enquanto a direção estadual do PT manteve Chicão (União Brasil) entre os nomes apoiados para a disputa pela segunda vaga ao Senado.

A diferença entre os dois candidatos também aparece na forma como cada campanha vem utilizando a imagem de Lula. Celso Sabino vem se apresentando publicamente desde o início da campanha como candidato apoiado pelo presidente, explorando o nome de Lula em materiais de divulgação, vídeos e postagens nas redes sociais e também na propaganda eleitoral.

A estratégia ganhou ainda mais força com a aproximação pública entre os dois. Em agosto, Sabino e Lula gravaram juntos um vídeo utilizado na campanha do candidato ao Senado. Sabino também criou a chamada Casa Lula, em Belém, reforçando a associação de sua candidatura com o presidente.

Já Chicão não vinha utilizando a associação com Lula da mesma maneira em sua comunicação eleitoral. A aproximação começou durante a passagem do presidente por Belém, na segunda-feira (28), quando os dois estiveram juntos no mesmo palanque.

Lula coloca Sabino ao seu lado

A situação ficou explícita durante o comício realizado em Belém. No palco, Lula estava ao lado de Celso Sabino e Chicão, além de outras lideranças políticas. Durante o discurso, o presidente reafirmou seu apoio a Sabino.

A presença de Sabino no palanque, inclusive, ocorreu após um pedido de Lula. Inicialmente, o candidato do PDT não integraria o palco principal porque não fazia parte da chapa apoiada pelo PT no Pará. Lula pediu que ele fosse incluído.

Ainda no palco, Lula pediu que as direções do PT e do MDB conversassem para avaliar a situação. A preocupação apresentada pelo presidente era evitar a divisão dos votos entre os candidatos aliados e a possibilidade de uma candidatura de oposição ocupar uma das duas cadeiras.

Se a declaração de Lula colocou Celso Sabino no centro da disputa, a decisão posterior do PT Pará expôs uma divisão dentro do próprio campo político do presidente.

PT mantém apoio a Chicão

Na quarta-feira (30), a Executiva Estadual do PT aprovou por maioria uma orientação para que a militância intensificasse a campanha na reta final. No documento, Chicão aparece entre os nomes apoiados pela legenda para o Senado. Celso Sabino não aparece entre os candidatos indicados pela direção estadual.

A definição mostra que o apoio pessoal de Lula a Sabino não foi acompanhado pela mesma orientação da direção estadual do PT.

A situação ficou ainda mais evidente nesta quinta-feira (1º), quando duas figuras históricas do partido, Ana Júlia Carepa e Paulo Rocha, apareceram ao lado de Celso Sabino em um vídeo publicado pelo candidato.

Na gravação, os dois reafirmam apoio a Sabino e apresentam o pedetista como o candidato ao Senado apoiado por Lula.

A disputa pela segunda vaga

O problema político está justamente na matemática eleitoral: são três candidaturas do campo aliado a Lula disputando duas vagas ao Senado.

De um lado, Chicão aparece respaldado pela chapa apoiada pelo PT no Pará e pela orientação da direção estadual da legenda. Do outro, Celso Sabino recebeu o apoio público de Lula e vem utilizando essa ligação como um dos principais elementos de sua campanha.

Essa diferença ficou evidente também na comunicação eleitoral. Enquanto Sabino passou a campanha reforçando sua proximidade com Lula, inclusive em vídeos e materiais publicitários, Chicão intensificou essa associação especialmente após a presença do presidente em Belém.

O problema político está justamente na matemática eleitoral: são três candidaturas do campo político de Lula disputando uma vaga.

A disputa pela segunda vaga coloca em confronto direto Chicão, agora indicado oficialmente pela direção estadual do PT. Do outro, Celso Sabino, que recebeu o apoio público de Lula e passou a contar também com manifestações de importantes lideranças históricas do PT no Pará.

No entanto, essa divisão entre as candidaturas abre espaço para nomes de oposição. Éder Mauro (PL) aparece em diferentes pesquisas como principal nome a ficar com a segunda vaga ao Senado.

Durante o comício em Belém, Lula demonstrou preocupação justamente com a possibilidade de a divisão entre candidatos aliados favorecer uma candidatura de oposição.

Assim, a questão não é apenas saber quem tem o apoio de Lula, mas também entender que existem duas orientações diferentes dentro do próprio campo lulista no Pará: a manifestação pessoal do presidente em favor de Celso Sabino e a orientação oficial da direção estadual do PT por Chicão.

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