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De Icoaraci, em Belém, para Paris: fotógrafo brasileiro ganha destaque internacional

O fotógrafo paraense Rafael Pavarotti, nascido em Icoaraci, distrito de Belém, ganhou uma exposição individual em um dos principais espaços de arte e design da França. A mostra “Rafael Pavarotti, Photographer” será aberta ao público nesta sexta-feira (2), no Musée des Arts Décoratifs, em Paris, durante a Semana de Moda da capital francesa.

A exposição faz de Pavarotti o primeiro fotógrafo brasileiro a ter uma mostra individual no museu. Ao todo, são mais de 200 obras selecionadas a partir de aproximadamente 700 imagens produzidas pelo artista entre 2016 e 2026.

A trajetória internacional inclui trabalhos para algumas das principais marcas de moda do mundo, como Dior, Chanel e Balmain, além de fotografias de artistas como Beyoncé, Rihanna e Madonna.

Beyoncé foi fotografada por Pavarotti para a capa da Vogue britânica e também durante a turnê Renaissance. Rihanna apareceu em capas da Dazed e da Perfect Magazine. Já Pavarotti assinou a imagem utilizada na capa do álbum Confessions II, de Madonna, lançado em julho deste ano.

Mas a carreira do fotógrafo vai além dos trabalhos com grandes celebridades. De ascendência afro-indígena, Pavarotti também ganhou destaque por ampliar a presença de modelos negros na fotografia de moda internacional.

Entre seus trabalhos está a campanha masculina da Dior para o verão de 2021, considerada a primeira campanha da marca composta inteiramente por modelos negros sob direção criativa de Kim Jones. Anos depois, ele também fotografou a primeira campanha de alta-costura da Balmain realizada inteiramente com modelos negros.

A relação com a fotografia começou ainda na infância. Nascido em uma família de artesãos, Pavarotti começou a fotografar aos 12 anos, usando uma câmera que pertencia ao pai.

Antes de alcançar o cenário internacional, ele também passou pelo Rio de Janeiro, onde viveu no Vidigal ainda na adolescência. Foi nesse período que começou a construir relações profissionais que ajudaram a impulsionar sua carreira na fotografia de moda.

Segundo o próprio fotógrafo, a exposição em Paris representa uma retrospectiva de dez anos de trabalho e também da construção de sua própria linguagem visual.

“São dez anos construindo uma maneira de olhar”, afirmou Pavarotti em entrevista à Vogue Brasil.

Para ele, a exposição não representa apenas uma reunião de trabalhos antigos, mas mostra como sua fotografia foi se transformando ao longo dos anos. Algumas das imagens selecionadas para a mostra, inclusive, foram publicadas apenas dois meses antes da abertura.

A identidade brasileira também ocupa espaço importante nesse percurso. Pavarotti afirma que sua origem aparece em seu trabalho por meio de elementos que vão além de referências visuais diretamente associadas ao país, como o “gingado”, o “molejo”, o “axé” e a capacidade de criar mesmo diante de dificuldades.

Mesmo vivendo fora do Brasil, o fotógrafo diz manter uma ligação cotidiana com o país. Entre os elementos que fazem parte de sua rotina estão o açaí, a feijoada e músicas de artistas como Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Tim Maia e Gilberto Gil.

Nascido em Icoaraci, em Belém, Pavarotti levou essa origem para uma carreira construída internacionalmente. Agora, aos 33 anos, seu trabalho chega às salas de um dos principais museus de arte e design de Paris, reunindo uma década de imagens produzidas entre o Brasil e o exterior.

A exposição “Rafael Pavarotti, Photographer” ficará em cartaz até 2 de maio e reúne mais de 200 obras do fotógrafo paraense.

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