Você sabia que o tradicional queijo do Marajó não é curado como muitos outros queijos? Produzido artesanalmente com leite de búfala, o produto típico da ilha passa por um processo de cozimento conhecido como “fritura”, que ajuda a definir sua textura cremosa e o sabor característico.
A tradição de produzir queijo com leite de búfala na região remonta ao início do século XX e está diretamente ligada à presença desses animais no arquipélago. O queijo possui duas variedades principais: creme e manteiga. As duas utilizam massa coalhada e leite, mas recebem ingredientes diferentes durante a preparação.
Na versão creme, é utilizado creme de leite, enquanto a versão manteiga leva manteiga de garrafa. Os produtos são obtidos a partir do próprio processo de fabricação.
Por que o queijo do Marajó demorou para chegar ao resto do Brasil?
Durante décadas, o queijo ficou praticamente restrito ao Pará por causa das regras sanitárias para a comercialização de produtos artesanais de origem animal.
Em 2013, uma portaria estadual permitiu que o produto fosse comercializado em todo o território paraense. A expansão para outros estados, porém, só ocorreu anos depois.
Foi em 2020, com a criação do Selo Arte, que produtos artesanais de origem animal passaram a ter uma regulamentação que permitiu sua comercialização em outras partes do país, desde que cumprissem os requisitos sanitários.
No ano seguinte, em 2021, o queijo do Marajó recebeu o registro de Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento estabelece critérios de produção e identifica a origem do produto.
A história dos búfalos no Marajó
A história do queijo está diretamente ligada à presença dos búfalos na ilha. Registros históricos apontam que os primeiros animais chegaram ao Marajó em 1895.
O ambiente da região, marcado pelo clima quente, áreas alagadas e vegetação abundante, favoreceu a criação dos animais. Atualmente, o Pará possui o maior rebanho de búfalos do Brasil.
Além da produção de leite e derivados, os búfalos fazem parte do cotidiano e da identidade cultural do Marajó.
A tradição também deu origem à chamada Rota do Queijo, que reúne propriedades, queijarias, restaurantes e outros estabelecimentos ligados à produção e à gastronomia regional.
Entre a criação de búfalos, os campos alagados e o conhecimento passado entre gerações, o queijo do Marajó se tornou um dos produtos que ajudam a representar a gastronomia paraense fora do estado.



