Morte de Evelyn Dantas completa uma semana e investigação ainda busca esclarecer motivação do crime
Influenciadora havia sido investigada pela morte de um sargento da PM em Mãe do Rio e estava sob monitoramento eletrônico quando foi assassinada; polícia apura possíveis relações entre os dois casos
A morte da influenciadora Evelyn Dantas completou uma semana nesta quarta-feira (23), mas diversos pontos do caso ainda permanecem sob investigação. Ela havia sido investigada por suspeita de participação na morte do sargento Antônio Anildo Alves, ocorrida em Mãe do Rio, no Pará, e estava em liberdade sob monitoramento eletrônico quando foi assassinada.
A investigação sobre a morte de Evelyn se soma a uma sequência de acontecimentos iniciada após a execução do policial militar, em julho. Desde então, as autoridades passaram a investigar não apenas os responsáveis pela morte do sargento, mas também uma série de outros episódios envolvendo pessoas que teriam alguma relação com o caso.
Quem era Evelyn Dantas
Antes de ser presa, Evelyn se apresentava nas redes sociais como estudante de Ciências Contábeis e compartilhava principalmente registros de viagens, passeios e momentos em praias, com destaque para conteúdos relacionados a Salinópolis. Ela também mantinha um estúdio de beleza na cidade, onde oferecia serviços de cabeleireira, manicure e maquiagem.
A exposição de Evelyn nas redes sociais aumentou após sua prisão, ocorrida no final de julho, quando ela passou a ser investigada por possível participação na morte do sargento Antônio Anildo Alves. O perfil que antes era público ganhou milhares de seguidores durante o período em que o caso passou a repercutir.
No dia 9 de setembro, Evelyn foi colocada em liberdade sob monitoramento eletrônico. Segundo as informações reunidas na reportagem, durante esse período ela teria recebido um alerta de uma pessoa ligada ao caso para deixar o Pará e seguir para o Rio de Janeiro. A investigação também apura uma possível ligação dela com o Comando Vermelho, embora essa relação seja apresentada como uma suspeita e não como uma conclusão definitiva.
Assassinato ocorreu poucos dias após a liberdade
A morte de Evelyn aconteceu na madrugada de 16 de setembro, poucos dias depois de ela deixar a prisão. Segundo o relato apresentado na reportagem, homens encapuzados entraram na residência onde ela estava, a retiraram do imóvel e efetuaram disparos.
Após o crime, a sigla “TCP” foi encontrada pichada na fachada da residência. A inscrição passou a ser um dos elementos considerados na investigação, principalmente diante da possibilidade de atuação de grupos criminosos e de uma eventual disputa territorial. No entanto, a presença da sigla, por si só, não comprova a participação de uma determinada organização no assassinato.
A Polícia Civil do Pará instaurou um inquérito para investigar o homicídio. Entre as medidas adotadas estão a realização de perícias, a análise de imagens de câmeras de segurança e a coleta de depoimentos de testemunhas. O objetivo é identificar os responsáveis pelo crime e esclarecer a motivação.
Polícia trabalha com hipótese de retaliação ou queima de arquivo
Uma das principais questões da investigação é entender se a morte de Evelyn estaria relacionada às informações que ela poderia possuir sobre a morte do sargento Antônio Anildo Alves.
O comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rodrigo, afirmou que Evelyn fornecia informações consideradas importantes para as investigações. A partir disso, a polícia passou a trabalhar com a possibilidade de que o assassinato tenha sido uma forma de retaliação ou de tentativa de eliminar uma pessoa que poderia contribuir para o esclarecimento do caso.
A hipótese, entretanto, ainda não foi confirmada. As autoridades continuam buscando elementos que permitam estabelecer uma relação concreta entre a morte da influenciadora e as informações que ela teria fornecido durante as investigações.
Até o fechamento da reportagem utilizada como base, também não havia confirmação oficial de que uma organização criminosa tenha sido responsável pelo assassinato. As possibilidades de retaliação e queima de arquivo permaneciam como linhas investigativas.
Caso começou com a morte de um sargento em Mãe do Rio
A sequência de acontecimentos que envolve Evelyn começou com a morte do sargento Antônio Anildo Alves, em Mãe do Rio. O policial foi executado no final da tarde de 29 de julho, em frente a um supermercado.
A partir do crime, as forças de segurança iniciaram buscas para identificar os envolvidos na execução. As operações chegaram a municípios como Ipixuna do Pará e Paragominas e foram acompanhadas por outras mortes de pessoas apontadas como relacionadas ao caso.
De acordo com o levantamento apresentado na reportagem, dez pessoas morreram nos dias seguintes à execução do policial, antes da morte de Evelyn. Dessa forma, o assassinato da influenciadora é tratado dentro de uma sequência de episódios que ainda está sendo investigada pelas autoridades.
Pichação de “TCP” levantou hipótese sobre facções
Outro elemento que passou a chamar atenção dos investigadores foi a sigla “TCP” encontrada no imóvel após a morte de Evelyn. A inscrição foi associada ao Terceiro Comando Puro, organização criminosa com atuação principalmente no Rio de Janeiro e que mantém histórico de disputa territorial com outras facções.
A possível relação ganhou atenção porque Evelyn teria sido orientada a fugir para o Rio de Janeiro e, segundo a reportagem, teria como destino o Complexo da Penha. A investigação também menciona uma possível relação dela com o Comando Vermelho. Esses elementos alimentaram a hipótese de uma disputa entre grupos criminosos como parte do contexto do assassinato.
O material, porém, faz uma ressalva importante: não havia confirmação de que o TCP tivesse instalado uma base no Pará ou de que existisse uma disputa territorial entre a organização e o Comando Vermelho no estado. Portanto, a presença da sigla na residência permanece como um elemento da investigação, e não como prova conclusiva sobre a autoria ou a motivação do homicídio.
O que ainda precisa ser esclarecido
Com uma semana desde a morte de Evelyn, a investigação ainda precisa responder a questões centrais. Entre elas estão a identificação dos responsáveis pelo assassinato, a eventual existência de mandantes e a motivação concreta para o crime.
Outro ponto importante é determinar se a morte está diretamente relacionada à investigação sobre o assassinato do sargento Antônio Anildo Alves e às informações que Evelyn teria fornecido às autoridades. Também será necessário esclarecer se a pichação encontrada no imóvel tem relação efetiva com os autores do crime ou se foi utilizada para criar uma determinada narrativa sobre a execução.
As imagens de câmeras de segurança, os depoimentos de testemunhas e os resultados das perícias devem contribuir para reconstruir os acontecimentos e estabelecer possíveis conexões entre os diferentes episódios.
Até o momento, portanto, as hipóteses envolvendo retaliação, queima de arquivo e eventual participação de grupos criminosos permanecem sob investigação. A Polícia Civil ainda busca elementos que permitam transformar essas linhas investigativas em conclusões comprovadas.



