Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada. O escritor e jornalista deixa a esposa, Mary Ventura, e os filhos Elisa e Mauro.
Com mais de 60 anos de atuação profissional, Zuenir construiu uma trajetória marcada pela cobertura de acontecimentos políticos e sociais do Brasil, além da produção literária. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 32, na sucessão do escritor Ariano Suassuna.
Nascido em 1º de junho de 1931, no município mineiro de Além Paraíba, Zuenir se mudou para Nova Friburgo aos 11 anos. Durante a juventude, conciliou os estudos com o trabalho. Filho de um pintor, ajudava a família e chegou a trabalhar como office boy.
Inicialmente, pretendia seguir a carreira de professor. Ainda jovem, recebeu uma bolsa de estudos em um colégio em troca de dar aulas para crianças do ensino primário. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou Letras Neolatinas na então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na carreira jornalística, um dos trabalhos de destaque ocorreu no final de 1969, quando realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre a década de 1960. O material posteriormente foi transformado em livro.
Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil. Depois, passou a ocupar outras funções de chefia no jornal.
Três anos mais tarde, Zuenir lançou uma de suas obras mais conhecidas, “1968 – o ano que não terminou”. O livro revisita acontecimentos políticos e sociais daquele período e se tornou uma das referências sobre a década de 1960 no Brasil. A obra chegou a 48 edições e ultrapassou 400 mil exemplares vendidos.
O livro também serviu de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. Um dos capítulos da obra, “Um herói solitário”, também inspirou o filme “O homem que disse não”, dirigido pelo cineasta Olivier Horn para a televisão francesa.
Ao longo de sua trajetória, Zuenir Ventura manteve atuação tanto no jornalismo quanto na literatura, tornando-se um dos nomes de destaque da imprensa e da produção intelectual brasileira no século XX e início do século XXI.



