Clubes se mobilizam contra restrições às bets e alegam impacto financeiro no futebol
Manifesto reúne equipes da Série A e federações em defesa do mercado regulado de apostas; governo avalia mudanças para jogos de cassino on-line.

Clubes e federações de futebol divulgaram nesta quinta-feira (17) um manifesto conjunto contra possíveis novas restrições ao mercado de apostas no Brasil. As entidades defendem a manutenção do modelo regulado e afirmam que uma mudança nas regras pode provocar perdas financeiras para o futebol nacional.
O documento, intitulado “O fim do futebol brasileiro”, foi publicado inicialmente por clubes como Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos, Vasco, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro, além das federações Paulista (FPF) e do Rio de Janeiro (FERJ). Outros clubes da Série A também aderiram posteriormente ao posicionamento.
Segundo o manifesto, as empresas de apostas autorizadas se tornaram uma fonte relevante de receita para o esporte, alcançando desde os principais clubes até equipes de menor expressão, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais. Os clubes afirmam que uma mudança abrupta poderia afetar contratos já assinados e planejamentos financeiros. Essas são alegações das entidades signatárias, e não uma estimativa independente sobre o impacto.
A mobilização ocorre diante da possibilidade de o governo federal editar uma Medida Provisória para proibir jogos de cassino on-line e alterar regras relacionadas ao setor. A discussão ganhou força após avanços no Senado de propostas que restringem a publicidade e o patrocínio de empresas de apostas.
No texto, os clubes reconhecem que a expansão das apostas traz impactos sociais e defendem o reforço de medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção. A posição apresentada é pela manutenção das empresas autorizadas, enquanto o combate às plataformas clandestinas seria ampliado.
Um dos argumentos apresentados pelas entidades é que a retirada das empresas legalizadas do mercado poderia estimular a migração dos consumidores para plataformas clandestinas, que não estariam submetidas às mesmas regras de fiscalização e tributação. O manifesto também cita possíveis efeitos sobre contratos comerciais e a segurança jurídica dos clubes.
O debate ainda está em andamento e envolve diferentes propostas sobre publicidade, patrocínios, jogos on-line e funcionamento das apostas de quota fixa. Portanto, eventual mudança no modelo atual depende das medidas que venham a ser adotadas pelo governo e da tramitação das propostas em discussão no Congresso.



