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Layse Santos é mais paraense que muitos paraenses

Nascida no Maranhão, jornalista construiu no Pará uma trajetória de 28 anos marcada pela televisão, pela comunicação e por uma relação de pertencimento com a cultura e a identidade paraenses

Nasceu no Maranhão, mas foi em Belém que Layse Santos se tornou quem é. Há décadas na cidade, formada em jornalismo pela Universidade Federal do Pará, ela construiu ali toda a sua trajetória profissional, criou família e se firmou como uma das vozes mais respeitadas do jornalismo paraense. Mais do que uma questão de tempo de moradia, o que Layse demonstrou nos últimos meses, sobretudo durante a COP30, foi um tipo de pertencimento que muita gente nascida no Pará não tem: ela saiu na defesa de Belém e dos paraenses diante da onda de xenofobia que a cidade enfrentou, gravando vídeos que confrontavam diretamente o preconceito disfarçado de crítica.

Essa postura não surgiu do nada. Layse costuma dizer que sua vida profissional é praticamente toda dentro da TV Liberal, que descreve como sua grande escola e uma casa cheia de amigos, o lugar onde pôde exercer aquilo que mais gosta de fazer. A carreira começou cedo, ainda na TV Cultura, antes de ingressar na emissora afiliada da Globo no estado. Na Liberal, foi repórter, passou quase cinco anos à frente do Bom Dia Pará, fez reportagens de rede para a Globo e assumiu depois a edição-chefe e a apresentação do JL1. Depois de um bom tempo na bancada, pediu para voltar às reportagens especiais, e foi nesse período que assinou séries marcantes como “Carreiras e Profissões” e “Norte Integrado”.

Entre os episódios que guarda com mais carinho está a viagem ao Oriente Médio, em 2000, quando gravou uma série especial sobre Belém de Jerusalém, mostrando que sua curiosidade jornalística sempre teve alcance internacional sem nunca perder o vínculo com a cidade que escolheu como casa. Outro momento que ela faz questão de destacar é o Círio de Nazaré, transmissão que trata como algo entre o profissional e o devocional: “Devota e profissional, trabalho com muito prazer e emoção nesta época do ano”, diz. É essa mistura de ofício e afeto que explica, em boa parte, por que Layse reagiu com tanta firmeza quando viu Belém ser tratada com desdém por quem nunca entendeu a cidade.

Formada também em administração de empresas pela Unama e com pós-graduação em comunicação corporativa por uma escola de políticas públicas dos Estados Unidos, Layse soma 28 anos de comunicação. Em 2003, fundou a Eko Estratégias de Comunicação, ampliando sua atuação para além da bancada de telejornal. Foi uma das profissionais lembradas no especial de 50 anos da TV Liberal, reconhecimento de quem construiu, ao longo de quase três décadas, uma carreira que atravessa reportagem, apresentação, edição e gestão de comunicação.

Nada disso, porém, resume tão bem sua relação com o Pará quanto a disposição de se colocar publicamente contra a xenofobia sofrida por Belém durante a COP30. Enquanto a cidade recebia o mundo e, ao mesmo tempo, ouvia comentários rasos sobre sua infraestrutura, seu clima e sua gente, Layse usou sua voz e seu alcance para responder. Não como quem defende um lugar de passagem, mas como quem defende a própria casa. É esse gesto, somado a décadas de trabalho dedicado ao jornalismo paraense, que faz sentido a frase que dá nome a este texto: Layse Santos é mais paraense que muitos paraenses.

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