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Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro diz que plano de governo terá Milei como referência

Daniella Marques afirma que eventual governo pretende revogar mais de mil normas, reduzir burocracias e fazer ajuste fiscal sem alterar programas sociais

A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou que as reformas promovidas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, serão utilizadas como referência na elaboração do plano econômico do candidato à Presidência da República.

A declaração foi feita na segunda-feira (14), durante o seminário Brasil Hoje, promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo. Segundo Marques, a equipe pretende analisar medidas adotadas na Argentina relacionadas principalmente à desburocratização, redução de gastos públicos e revisão de normas.

“Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”, afirmou.

A coordenadora citou como exemplo a redução de burocracias, de impostos e a atração de investimentos. Segundo ela, a equipe econômica já iniciou o levantamento de mais de mil normas infralegais, incluindo obrigações acessórias e regulamentos, que poderiam ser revogadas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Revogação de normas e ajuste fiscal

A proposta apresentada por Daniella Marques prevê uma revisão ampla das regras que afetam empresas e cidadãos. A equipe chama a medida de “revogaço” e afirma que o objetivo seria simplificar procedimentos e reduzir burocracias.

A coordenadora também defendeu um ajuste rápido nas contas públicas. Em declaração durante o mesmo evento, Marques afirmou que a situação fiscal exige medidas para conter o crescimento das despesas e da dívida pública. Ela disse ainda que a campanha pretende aprimorar o atual arcabouço fiscal.

Segundo a coordenadora, um eventual governo Flávio Bolsonaro apresentaria uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tratar do controle de gastos. A proposta, de acordo com Marques, teria como foco a estrutura da máquina pública e os benefícios tributários.

“Já assumimos o compromisso de não alterar os programas sociais. Nossa proposta focará no corte de privilégios, tanto na estrutura da máquina pública quanto em benefícios tributários”, afirmou.

Menos burocracia e reorganização do Estado

As propostas econômicas apresentadas pela campanha também incluem uma reorganização da estrutura administrativa federal. Em declarações anteriores, Daniella Marques defendeu a redução do número de ministérios e uma administração mais digital, com serviços públicos organizados a partir das necessidades dos cidadãos.

A coordenadora também citou a revisão do patrimônio imobiliário da União. Segundo ela, o governo federal possui cerca de 760 mil imóveis, avaliados contabilmente em mais de R$ 1,7 trilhão. A proposta apresentada pela equipe é revisar a utilização desses ativos e avaliar formas de reduzir custos associados ao patrimônio público.

Outra frente defendida é a revisão de marcos regulatórios e o fortalecimento das regras de governança das empresas estatais.

Relação com outros países

Apesar de apontar o governo Milei como referência para determinadas medidas econômicas, Daniella Marques afirmou que a política externa de um eventual governo Flávio Bolsonaro não ficaria restrita à Argentina ou a outros países alinhados ideologicamente.

Segundo ela, a intenção seria manter diálogo comercial com diferentes nações, incluindo a China.

“Buscaremos o diálogo com todas as nações, pautando nossa atuação no fortalecimento do Brasil como uma potência comercial e preservando os compromissos estratégicos na região”, declarou.

Autonomia do Banco Central

Durante o evento, Marques também afirmou que um eventual governo Flávio Bolsonaro respeitaria a autonomia do Banco Central. Questionada sobre uma possível convivência com Gabriel Galípolo, atual presidente da instituição, ela disse que a atuação do Banco Central deveria permanecer baseada em critérios técnicos e transparência.

A coordenadora também afirmou que a fiscalização do sistema financeiro cabe ao próprio Banco Central, que possui autonomia e poder regulatório sobre o setor.

Propostas já apresentadas pela equipe

As declarações sobre Milei se somam a outras propostas econômicas apresentadas por Daniella Marques ao longo da pré-campanha. Em agosto, ela defendeu uma reforma do Estado baseada em digitalização dos serviços públicos, reorganização administrativa, revisão do patrimônio da União e mudanças na governança de estatais.

A campanha também já apresentou a ideia de uma “Lei de Liberdade Econômica 2.0”, com medidas voltadas à desburocratização de registros e licenciamentos, além do uso de tecnologia e inteligência artificial na administração pública.

Em julho, Marques havia apresentado três pilares para a proposta econômica: governança, controle da trajetória da dívida e redução de despesas.

As medidas citadas pela coordenadora ainda fazem parte das propostas discutidas pela campanha para as eleições de 2026 e dependeriam, em caso de eventual governo, da tramitação e aprovação das medidas pelo Congresso Nacional.

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