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Parque 25 mostra como espaços públicos podem aproximar moradores da cidade

Requalificação do canteiro central da Avenida Rômulo Maiorana reforça uma ideia central do urbanismo contemporâneo: quando o espaço público oferece conforto, segurança, sombra e possibilidades de convivência, ele deixa de ser apenas passagem e passa a fazer parte da vida cotidiana

Há uma diferença importante entre ter um espaço público e ter um espaço público utilizado pela população.

Uma praça, um canteiro ou uma área verde podem existir fisicamente durante décadas sem necessariamente fazer parte da vida cotidiana das pessoas. Quando esse espaço recebe infraestrutura, manutenção, segurança, conforto e usos diversos, porém, sua relação com a cidade pode mudar completamente.

O Parque 25, na Avenida Rômulo Maiorana, é um exemplo interessante desse processo.

A requalificação do segundo trecho, entre as travessas Lomas Valentinas e Vileta, transformou parte do canteiro central em um espaço voltado não apenas à circulação, mas também à permanência. Foram incorporadas ciclovia, calçadas, áreas de convivência, equipamentos esportivos, playgrounds, quiosques, academia ao ar livre, espaço para calistenia, pet park e elementos de acessibilidade.

A mudança parece simples, mas possui uma consequência urbanística importante: a população passa a ter mais motivos para estar na cidade.

Maria Lucinda Oliveira, de 77 anos, moradora do bairro do Marco desde que nasceu, resume essa transformação de maneira bastante objetiva. Caminhar pela região e conversar com as amigas já fazia parte de sua rotina. Com a requalificação, porém, ela passou a enxergar aquele mesmo espaço de outra maneira.

Esse é um dos princípios mais importantes do urbanismo contemporâneo: a cidade precisa ser pensada para a permanência, e não apenas para o deslocamento.

Durante muito tempo, o planejamento urbano privilegiou a lógica de levar pessoas rapidamente de um ponto a outro. Ruas foram concebidas principalmente para carros, grandes avenidas para fluxos e áreas públicas muitas vezes tratadas como espaços residuais.

A cidade contemporânea procura recuperar outra dimensão: a do encontro.

Um bom espaço público precisa permitir que alguém atravesse, mas também que outra pessoa pare. Precisa atender quem corre, quem pedala, quem leva uma criança para brincar, quem passeia com um animal, quem pratica esporte e quem simplesmente quer sentar embaixo de uma árvore para conversar.

É justamente essa diversidade de usos que ajuda a produzir espaços urbanos mais vivos.

A cidade perto de casa

Outro aspecto importante do Parque 25 é a proximidade.

A moradora Verena Cunha relatou que, antes da requalificação, precisava se deslocar para lugares mais distantes para encontrar opções de lazer e prática esportiva. Agora, atividades que antes exigiam planejamento e deslocamento podem acontecer perto de casa.

Esse ponto é fundamental.

Uma cidade não precisa necessariamente construir grandes equipamentos em poucos lugares. Ela também precisa distribuir qualidade urbana pelo território.

O conceito contemporâneo de cidade de proximidade parte justamente dessa ideia: serviços, comércio, lazer, áreas verdes, equipamentos públicos e oportunidades de convivência devem estar acessíveis no cotidiano das pessoas.

Não significa que tudo precise estar literalmente a poucos minutos de distância, mas que o planejamento urbano deve reduzir deslocamentos desnecessários e ampliar as possibilidades de vida nos próprios bairros.

Quando uma criança pode brincar perto de casa, um idoso pode caminhar com segurança, um jovem pode praticar esporte e uma família pode encontrar um espaço de convivência sem precisar atravessar a cidade, o bairro ganha uma nova centralidade.

E isso também fortalece a relação afetiva entre o morador e o lugar onde vive.

Espaço público também é infraestrutura urbana

Outro mérito do projeto é não tratar lazer e infraestrutura como coisas separadas.

O Parque 25 combina pavimentação, drenagem, mobilidade, arborização, acessibilidade, iluminação, esporte, lazer e comércio.

Essa integração é importante porque a qualidade de um espaço urbano não depende de um único elemento.

Uma praça bonita, mas sem sombra, pode ser pouco utilizada. Um parque bem arborizado, mas sem iluminação adequada, pode perder usuários à noite. Uma ciclovia sem conexão com o restante da cidade pode ter seu potencial reduzido. Um espaço de lazer sem acessibilidade exclui parte da população.

O urbanismo contemporâneo trabalha justamente com essa visão integrada.

No Parque 25, a manutenção da vegetação existente e a criação de novos usos ajudam a transformar o corredor verde da Avenida Rômulo Maiorana em uma infraestrutura urbana de convivência.

São cerca de 3,5 quilômetros previstos em sete trechos, entre a Avenida Dr. Freitas e a Travessa Antônio Baena. O projeto contempla 22 quiosques, oito áreas de convivência, playgrounds, áreas para animais, academias, quadras de areia, quadra de basquete e outros equipamentos.

Isso significa que o espaço deixa de ser apenas um canteiro central e passa a funcionar como um eixo de vida urbana.

Quanto mais gente usa, mais a cidade ganha

Existe ainda uma dimensão econômica e de segurança.

Os quiosques e espaços destinados aos comerciantes permitem que atividades econômicas também façam parte da dinâmica do parque. A presença de comércio, moradores, atletas, crianças, idosos e outros usuários cria uma diversidade de pessoas circulando pelo local em diferentes horários.

É a lógica da cidade ativa.

Espaços públicos utilizados tendem a estabelecer uma relação diferente com o entorno. As pessoas observam o que acontece, comerciantes acompanham o movimento e moradores passam a reconhecer aquele lugar como parte de sua rotina.

Isso não significa que a simples presença de pessoas resolva problemas de segurança. Iluminação, manutenção, desenho urbano e atuação do poder público continuam sendo fundamentais.

Mas uma cidade em que as pessoas ocupam seus espaços públicos é, em princípio, diferente de uma cidade onde esses espaços permanecem vazios.

O verdadeiro desafio começa depois da obra

É importante, porém, não confundir inauguração com urbanismo concluído.

Um parque não se torna bom apenas porque recebeu uma obra. A qualidade urbana precisa ser mantida ao longo do tempo.

Calçadas precisam continuar acessíveis, árvores precisam ser cuidadas, equipamentos precisam de manutenção, iluminação precisa funcionar, banheiros precisam ser preservados e os espaços precisam continuar seguros e convidativos.

Esse talvez seja o maior teste do Parque 25.

A obra cria a possibilidade. A população dará sentido ao espaço por meio do uso cotidiano. E o poder público precisará garantir que a qualidade não desapareça com o passar dos anos.

A história de Maria Lucinda mostra o que pode acontecer quando uma área que já fazia parte da paisagem do bairro passa a oferecer mais condições para a convivência.

Ela não precisou descobrir uma nova cidade.

A cidade foi qualificada perto dela.

E talvez esse seja um dos maiores objetivos que uma política urbana pode alcançar: não apenas construir novos lugares, mas melhorar os lugares que já fazem parte da vida das pessoas.

Porque uma cidade não é feita somente de grandes obras, viadutos e avenidas. Ela também é construída nos caminhos que fazemos todos os dias, nas praças onde encontramos amigos, nas árvores sob as quais descansamos e nos espaços onde simplesmente podemos estar.

Quando esses lugares são cuidados, acessíveis e convidativos, o morador deixa de enxergar o espaço público apenas como cenário.

Ele passa a reconhecê-lo como parte da própria cidade.

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